segunda-feira, 9 de outubro de 2017

SONORA BRASIL


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CONFIRAM!!!


Crônica

- JANAÚBA E SUA GENTE INOCENTE MARCADAS PARA SEMPRE -
                               
 por Raquel Mendonça -   - 06.10.2017 -*


 Meus quase sete primeiros anos de vida os vivi na vizinha Janaúba, na praça Dr. Rockert, onde tanto brinquei, com crianças da vizinhança, no centro histórico do qual sobrou apenas a Igrejinha do Bom Jesus, que tanto frequentei...  Mas que importa isso agora?! Nada ou quase nada, diante de uma creche municipal lotada de inocentes loucamente incendiada pelo sempre estranho "vigia" Damião Soares dos Santos, 50 anos, que, não há dúvida, tinha, sim, sérios problemas mentais, tragédia imensurável que deixou nove ou mais vítimas fatais e outras em estado grave, divididas entre hospitais de Janaúba, Montes Claros e Belo Horizonte...

A sua própria mãe deixou isso claro quando, em 2014, ele se dirigiu ao Ministério Público com uma acusação insana contra ela, que explicou: "Isso é coisa da cabela dele (Esquizofrenia...)! Ele tem o juízo trapaiado!". Ninguém lhe deu ouvidos e ele continuou vivendo "normalmente", permanecendo funcionário público - efetivo havia oito para nove anos - e, pasme, trabalhando como vigia de uma frágil creche municipal chamada "Gente Inocente", sem passar por avaliação médica psiquiátrica, sem receber o devido tratamento para doentes mentais!...

É sempre assim em países atrasados: só fechar a porta quando roubados, só abrir os olhos quando tantos outros os tiveram para sempre fechados: Juan Pablo Cruz dos Santos, 4 anos; Luiz Davi Carlos Rodrigues, 4 anos; Ruan Miguel Soares Silva, 4 anos; Ana Clara Ferreira Silva, 4 anos, as primeiras crianças a partirem voando feito anjos, em meio às cinzas e ao torpor que tomaram conta de todos na cidade, região, no estado, país, assombrando o mundo! Onde estão as autoridades municipais responsáveis pela apuração de desvios de comportamento de funcionários, alguns com evidentes e sombrios, perigosos transtornos mentais?!

Ah, fulano ou fulana tem problemas psicológicos graves, cria coisas absurdas de um e de outro - o esquizofrênico acredita seja realidade o que a sua mente imagina ouvir e ver... -, derruba a casa, agride, ameaça, mas o que tem isso de mal, afinal?! É apenas uma bobagem, uma coisinha à toa, uma coisinha de nada... Até que o pior acontece, como em outras tragédias insistente e longamente anunciadas, em que ninguém via nada ou nada queria ver, em que nenhuma autoridade se responsabilizou ou tomou as providências cabíveis, em que ninguém agiu como o deveria... É mais fácil ficar na sua zona de conforto, sem abrir os olhos, acionar a mente presa, muitas vezes, no plano superficial e confortável da tola vaidade...

Aí o demente toma conta do espaço onde dezenas de crianças eram deixadas pelos pais com a certeza de estarem em segurança e, quando a sua cabeça perturbada apita a hora, não do recreio, mas da ação aterradora, retira dois galões de álcool levados na mochila que carregava nas costas e espalha o líquido inflável sobre si mesmo, crianças dentro e fora da sala de aula e, em seguida, risca o fósforo afiado do sofrimento e põe fim à vida de tantos seres inocentes, deixando outros tantos em estado grave! Dois deles perderam a luta hoje à tarde na Santa Casa de Montes Claros. E a professora heroína, que chegou a entrar em luta corporal com o doido vestido de vigia, deixou esposo e filhos, um ainda muito pequeno, para salvar da morte crianças jogadas ao chão, também incendiadas!...

Não há quem não tenha chorado, quem não chore, quem não queira abraçar Janaúba inteira, quem não tenha vontade de fazer algo além do gesto solidário... Minhas lágrimas de tristeza, neste momento, representam as lágrimas de todos, janaubenses, montes-clarenses, gente de toda parte, ao ver crianças, os seres mais inocentes do mundo, em seus primeiros anos de vida, partirem assim, cruel e repentinamente! Resta saber: foi uma fatalidade ou algo que poderia ter sido evitado, se, em 2014, 3 anos atrás, a Prefeitura tivesse, enfim, acordado?!...

Todas as flores do mundo ainda são poucas, todos os gestos ou palavras de conforto e carinho, todos os esforços para levar consolo, força e fé em momento que nos deixa, no mínimo, comovidos, chocados, perplexos, estarrecidos!...

Só os braços de Deus podem contornar o longo espaço dolorosamente queimado em cada corpo! Coisa de louco! Satânico, demoníaco louco, que se foi sem choro nem vela, deixando no ar a pergunta: por que levar consigo as crianças?! Nem o autor descreveria o que se passou fantasiado de falsa realidade em sua mente...

Os céus devem ter enchido de tecidos suaves os eternos lugares dos que se foram: a brava professora, os alunos encantadores, de que restaram dores... e doces lembranças dos que com eles conviveram, dos que os amaram enquanto filhos, vizinhos, alunos e os ama agora como se amigos da infância vivida em Janaúba... Que Jesus, Nossa Senhora, o Divino Espírito Santo os reconstrua!...

E que a nova Creche Gente Inocente nos céus inaugurada tenha vigia sem a mente doentia, capaz de transformar em chamas um lugar de luz e alegria!...


* Jornalista, Escritora, Promotora Cultural, Historiadora. Membro da Academia Montes-clarense de Letras/AML, da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco - ACLECIA e do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

- Crônica -

O legado da Rua de Baixo

por Manoel Hygino* 

Dele se poderá dizer, sem medo de errar: é uma joia. Refiro-me a “Rua de Baixo”, livro que tem subtítulo “o passado reencontrado. ”Seus organizadores foram Fabiano Lopes de Paula, Adriana Lopes de Paula Andrade, Bernadete Versiani Santos e Virgínia de Paula.

Os textos, incluindo a poesia, são de mencionados autores, além de João Soares da Silva, Nair Maria Machado Souto, Maria Lúcia Oliveira Teixeira, Wagner Gomes, Magda Caribé, Walda Ataíde, Waldoniza Maria de Souza, Palmira Oliveira Teles, João Caetano Canela, Beatriz Sarmento Veloso, Cláudia Veloso Colen, Dulcivânia Ferreira Leite, Iolanda Xavier Souto, Diomar Alves de Souza, Maria do Carmo Batista, Maira Eny Lopes dos Santos, Lúcia M. Oliveira, Ruth Tupinambá Graça, Luiz Ortiga, Wilson Castro Brito, Maria Aparecida Soledade Brito, Maria da Glória Xavier (Dudu), Adriana Lopes de Paula, Maria Marcolina Teixeira Figueiredo (Naná), Fábio Guerra Maurício, Maria Aparecida de Paula (Lota), Vera Lúcia Andrade, Maria de Lourdes Souza Vieira, Maria José Freitas (Zezé), Luciano Lopes de Paula, Raimundo Nonato de Freitas Júnior, Sueli Teixeira de Freitas, Francisco Lopes (Tico Lopes), Maria das Graças Queiroz Maurício, Murilo Maciel, Haroldo Lívio, Geraldo Prates e Augusto Vieira.

Vê-se que o parágrafo ficou extenso, para um comentário com o espaço restrito que lhe é destinado. Mas não deixaria de relacionar os nomes dos colaboradores de volume tão precioso a Montes Claros e tão caro aos que ali nasceram e a amam. Tampouco ignoraria a arte de José Augusto Ramos, as fotografias do acervo dos autores citados, do “Álbum Moc Antiga” e Facebook de Maria das Dores Guimarães Gomes e Wagner Gomes. Da cuidadosa revisão, se encarregaram Cristina Lopes Oliveira, Bernadete Versiani dos Santos e Júlia Leocádia das Graças.

A edição não é nova, mas a valia da obra é permanente, pela sucessão de depoimentos, pelo material que enriquece a iconografia, pelo prefácio de Antônio Roberto. Este não esquece o padre Dudu, pároco da matriz, tampouco Anália, amiga da família – “eterna e principal dama da noite e a mais ilustre cafetina do Norte de Minas. Era ali em seu recanto de sonhos e mulheres dadivosas, na rua proibida para filhas virtuosas, que os mais conceituados homens da Rua de Cima deitavam seus corpos e entregavam suas almas”.

Entre os que comparecem a estas páginas, em textos e imagens, alguns não estão mais fisicamente entre nós, como Haroldo Lívio. Sua presença, porém, neste verdadeiro álbum, constitui sincera homenagem e atestado de perenidade que a “Rua de Baixo” conquista. Trata-se mais do que uma peça literária. É uma obra de reconstrução histórica extremamente rica, que transporá os limites do tempo, com fatos e imagens de comovente beleza.

Como Geraldo Prates, de uma família de gente querida da parte de baixo da cidade, os que viveram na parte de cima, lembrarão a exibição da Euterpe no terraço do edifício do semanário “Gazeta do Norte, executando velhos dobrados de bandas. Na Gazeta, publiquei meu primeiro artigo. O jornal, de propriedade de Jair Oliveira, fundado pelo pai, José Tomás, me abriu as portas.


 * Jornal Hoje em Dia

terça-feira, 19 de setembro de 2017

- Música -

PRÊMIO de MÚSICA das 

MINAS GERAIS

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Data: 23 de setembro
Horário: 21:30h
Local: Praça Pio XII - Praça da Catedral


PRESTIGIEM!!!


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