sexta-feira, 29 de julho de 2011

CORREDOR CULTURAL NASCE NO NÚCLEO HISTÓRICO DA CIDADE

Finalmente, depois de longos anos de idealizado pelo grande arquiteto e urbanista Aliomar Veloso Assis, em 1996, quando Secretário Municipal de Planejamento, ex atuante e importante Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Montes Claros - COMPHAC, o "Corredor Cultural de Montes Claros" começa a ganhar vida, obra e arte, com base em projeto do famoso urbanista Jaime Lerner, no Núcleo Histórico da cidade, também chamado de "Cidade Velha", formado pela Praça Dr. Chaves ou da Matriz e adjacências, a partir da Rua Cel. Celestino (ao fundo da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José), em frente ao Sobrado dos Versiani-Maurício ("Casarão dos Maurício"), recentemente reinaugurado e que abriga, hoje, a Secretaria Municipal de Cultura, no pavimento superior e, no pavimento térreo, a Divisão de Preservação e Promoção do Patrimônio Cultural de Montes Claros, antiga Divisão de Patrimônio Histórico, que chefiamos/Núcleo do futuro Museu da Imagem e do Som, como quer o Prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite, e o Secretário Municipal de Cultura, Ildeu de Jesus Lopes (Ildeu Braúna), bem como o Projeto PROMEMOC - Pró-Memória de Montes Claros, elaborado por Hermes e Virgílio de Paula, e a ser coordenado, a partir de setembro, por Luis Carlos Vieira Novaes (Peré); assim como em frente ao Sobrado da Escola Normal/FAFIL ("Prédio da FAFIL"), onde será implantado, no próximo mês de setembro, o Museu Regional do Norte de Minas (Museu de História Regional) pela UNIMONTES, abrangendo, ainda, nesta fase inicial, a Rua Cabo Santana e a Travessa José de Alencar.

À frente da obra, o competente e criativo arquiteto Luiz Cláudio (Cascão) Duarte de Oliveira, atual presidente do COMPHAC afirma que "a primeira etapa do projeto será concluída antes do 33º Festival Folclórico de Montes Claros, que terá início, paralelamente às Festas de Agosto do município, no próximo dia 17 de agosto. De acordo com Cascão Oliveira, "o Corredor Cultural tem como proposta reduzir a largura das ruas da área histórica da cidade, a fim de impedir a circulação de veículos de cargas pesadas, preservando, assim, a estrutura dos bens imóveis edificados dentro do Sistema Construtivo Tradicional, tombados ou inventariados pelo município. Além disso, o "Corredor Cultural" deverá atrair inúmeros e novos espaços culturais, como a criação de mais museus, galerias de arte, lojas de artesanato, livrarias, restaurantes de comidas típicas, cafés, barzinhos culturais etc. Além de Cascão, tem contribuído muito com "definições culturais" complementares eficientes e pertinentes do Corredor o nome do artista plástico, escultor Roberto Marques, chefe da Divisão de Cultura da Secretaria Municipal de Cultura.

Importante lembrar que o maior artista plástico de todos os tempos da cidade, Ray Collares, considerado um dos maiores do país e do mundo, teve Atelier exatamente na área onde hoje se constrói o "Corredor Cultural", mais precisamente numa das salas de galpões que se situavam ao lado do Casarão dos Maurício (hoje lote vago, a ser adquirido pela Prefeitura), e que a Secretaria de Cultura de Montes Claros, através de seu titular, Ildeu Braúna, considera 2011 o "ANO DE RAY COLLARES NA CIDADE". Nos vinte e cinco anos de sua partida (1944/1986), ele recebeu justa homenagem da Secretaria e do Centro Cultural, com grande Coletiva de Artes Plásticas, na Galeria de Artes Godofredo Guedes (Ray considerava Godô o "pai das artes plásticas em Montes Claros e seu próprio pai nas artes, graças ao estímulo e incentivo constantes dele recebidos") de que participaram os melhores e mais renomados artistas da terra, com extraordinários retratos de Ray e trabalhos que, na concepção, visão, técnica ou materiais utilizados procuram refletir sobre os excepcionais geométricos "pop-minimalistas" de Collares. "Um grande e justo nome para o Corredor", pensa Braúna, que tem sensibilidade artística (foi o criador do Grupo Agreste, é compositor e escritor) e competência. Que as demais autoridades (culturais ou não!) digam amém, são os nossos mais sinceros votos e, acreditamos, de toda a comunidade, não apenas a cultural!...

As ruas do Núcleo Histórico contempladas nesta primeira fase de criação do "Corredor Cultural" estão isoladas, para alargamento de passeios; troca de piso, que receberá pedras portuguesas; adequação das calçadas e recebimento de mobiliário urbano (bancos) em ferro e madeira, assim como luminárias em estilo colonial. Cascão destaca, ainda, que "as casas em redor receberão novas fachadas, para dar um ar mais sofisticado às mesmas, e que remetam a uma Montes Claros nostálgica, ou seja, a antiga Montes Claros".

O Corredor Cultural está sendo implantado com recursos da Prefeitura de Montes Claros, que espera obter, enfatiza Cascão, novos recursos, através de parceiros da iniciativa privada, para permitir a ampliação, ou, até mesmo, a abrangência integral do projeto.

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Sem dúvida, com o olhar e o formato voltados à origem e ao passado de Montes Claros, o "Corredor Cultural" representa um grande e especial presente ao futuro da cidade!!...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

X MOSTRA DE TEATRO DE MONTES CLAROS

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Até o dia 09 de agosto, continuará sendo realizada às 10h00, 16h00, 18h00, 19h00, 20h00 e 21h00, de acordo com a classificação do espetáculo (Infantil; 10, 12,  14, 16 e 18 anos; Livre) na Sala Cândido Canela (teatro-auditório) do Centro Cultural Hermes de Paula, bem como em espaços alternativos, como o auditório do Colégio São José, Unimontes e Cia. do Sonho, no Bairro Cintra, a X Mostra de Teatro de Montes Claros, que teve início no último dia 13 de julho, com a bela abertura e exibição da peça "Brasileiro, Profissão Esperança", de Paulo Pontes, um clássico musical, com participação especial da extraordinária cantora lírica Maristela Cardoso, tendo à frente o Grupo "Os Dez Mais", dirigido pelo grande e muito querido "Mestre Batista".

Organizada e realizada pela AARTED-Associação dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão, - com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Centro Cultural Hermes de Paula, UNIMONTES, INTER TV e Cia do Sonho -, presidida pelo nome de Haroldo (o Haroldinho...) Soares, ator e diretor, a Mostra vem obtendo grande sucesso de público, com cerca de duzentos espectadores por peça apresentada. Quase todos os quarenta espetáculos programados são inéditos, ao contrário dos anos anteriores, afirma Haroldo.

Já foram vistos e aplaudidos os espetáculos "Melancia e Coco Mole", adaptação do conto de Sílvio Romero, com o 7º Período do Curso de Arte, dirigido por Jarbas Siqueira, no auditório da Unimontes; "Porto Amor" e "Revelação - Uma Pequena História", de Juliana Daher, com o Grupo Laboro, de Belo Horizonte; "Show da Trupe", adaptação de Willian Ferreira, com o Grupo Trupe da Alegria, dirigido por Willian Ferreira e Ramon Santos; "Vem aí o Larápio", de Gutto Sant`ana, com a Cia do Riso, de Porteirinha, dirigido por Jukira Cruz; "De Chapéu e Coração, Três Histórias de Paixão", de Rafael Lorran, com A Trupe, que teve direção coletiva; "O Mistério dos Vampiros", de Maria Luiza Carvalho de Souza e David Rodrigues, com o Grupo Teatral En Cena, dirigido por Maria Luiza Carvalho; "Cemitério das Loucas", de Dário Teixeira Cotrim, com o Artecena, dirigido por Haroldo Soares; "O Caçador de Palavras", de Walcir Carrasco, com o Grupo Os Alquimistas, dirigido por Antônio Alkmin; "Os Palhaços se divertem", de Josias David, com a Cia de Artes Thubam, direção de Josias David; "Show de Humor - No Stress", de autores diversos, com o Grupo Faceato, dirigido por José Batista da Silva; "Deus é Amor, mas também é Humor", grande sucesso de autoria de Cláudio Ribeiro Prates, com o Grupo Arte, por ele dirigido; "Aids é Assim", de Osmar Dias, com o Gruperário, por ele dirigido; "Adão e Eva no Paraíso", com o Grupo "Renascer de Shakespeare", da cidade de Janaúba, escrito pelo grupo e dirigido por Túlio e Kátia Malheiros.

No dia 16 de julho, sábado, o Grupo Grande Palco mostrou, de Plínio Marcos, "Dois Perdidos numa Noite Suja", direção de Thamires Oliva, no espaço cultural Cia do Sonho. No domingo, foi a vez de "A Viagem dos Palhaços", (Show de palhaços), de José David e Alan Silva, com a Cia de Artes Thubam, dirigida por Josias David, no Centro Cultural. Dia 19, "As Dez mais do Córtex Cerebral", de Cyano Rosalén, com o Grupo Faceato, dirigido por José Batista, no auditório do Colégio São José. Dia 20, "Jerry, o Conquistador", um monólogo sobre a vida sentimental, de Pr. Fernando Ramos, com o IBREMAI Encena, dirigido por Fabrício de Jesus, também no auditório do São José. Dia 22, a comédia "O meu cotidiano no seu todo dia" (stand-up), de Du Novais, com o Grupo Oficinato, dirigido por Aldo Pereira, também Professor de Teatro, no Centro Cultural. Dia 23, "A Menina e o Elefante", uma história contada em um livro gigante, com o "Grupo BH", de Belo Horizonte, direção de Sula Mavruds, no São José. Também no dia 23 de julho, o grupo Os Dez Mais apresentou o "Espermatozóide Careca", na Cia do Sonho. No domingo, 24 de julho, foi a vez do "Folianus Catopê", de Paulo Henrique Dias Costa, com o Grupo Cia do Sonho, sob a direção de Solange Sarmento, no Cia do Sonho/Cintra. Dia 25, no São José, foi visto o espetáculo "A Procissão dos Elefantes", de Roberto Villani, com o Grupo Caminhos, dirigido por Samuel Teixeira Souto. Dia 26, também no São José, o espetáculo "Juca, um jeca em dura vida de solteiro", com a Cia Tríade, de Belo Horizonte, dirigida por Custódio Nunes.

Amanhã, 29/07, será a vez da Cia Tríade, de Belo Horizonte, com o espetáculo "Apartamento 171" de Paulo Sacaldassy, dirigido por Custódio Nunes, às 19 e 21h00, classificação 14 anos, no Centro Cultural Hermes de Paula/CECHP. Trata-se de uma comédia surpreendente, que retrata a inteligência do ser humano no uso das palavras, para se livrar das "enrascadas" do dia a dia. Também com a Tríade, no CECHP, a peça infantil "A Floresta Encantada", de Custódio Nunes, sob a sua direção, estará sendo apresentada no próximo sábado, às 10, 16 e 19h00. Um lobo mau, cansado de ser sempre o vilão das histórias infantis, resolve se aposentar, mas uma onça esperta está à espreita e de olho no dinheiro do lobo... No domingo, 31/07, às 19 e 21h00, classificação 18 anos, no Centro Cultural, "O Andarilho do São Francisco", de Amelina Chaves (atenção para a classificação, né, "Mel"!...), com a Cia do Sonho, dirigida por Joba Costa.

Agosto começará (ou continuará), junto com a natural ventania, a partir da apresentação de "Imprevisto, um Espetáculo Imperdível" (improviso), com a Cia de Humor Incenicamente, dirigida por Vitor O. Oliva, às 19 e 21h00, classificação 14 anos, no CECHP. Em seguida, no dia 02, "O Profeta do Espanto", de Edmilson Cordeiro, com o Artecena de Haroldinho, às 19 e 21 horas, classificação 12 anos, na "Cândido Canela":  terrível assassino rouba a identidade de um famoso palhaço, depois que este decide abandonar a carreira, para seguir a profissão de médico. No dia 03, de novo o Artecena com o "Se meu ponto G falasse", de vários autores, às 19 e 21h00, classificação 18 anos, comédia onde se alterna o prosaico e o estranho, o kstch e o pós moderno. Dia 04, um desabafo do cotidiano vivido pelos idosos: o abandono, a carência, - a impaciência alheia - e os sentimentos de quem tanto contribuiu com a sociedade, na peça "Depressão na Terceira Idade", de Osmar Dias, com o Gruperário, dirigido pelo mesmo, classificação livre, às 19 e 21h00, no CECHP. Dia 05, três espetáculos: "Mentiras atrás do Pano", do e com o Grupo Olho de Gato, com direção coletiva, às 19 e 21h00, classificação 12 anos, no auditório do Colégio São José, questionando "o que de fato somos e o que queremos ser. O retrato de três atores à procura da afirmação e sobrevivência do seu fazer artístico, em meio a tristezas, desentendimentos, busca de identidade e verdade no que fazem"; "O Segredo da Arca de Trancoso", de Luiz Felipe Botelho, com o Grupo Caminhos, direção de José Nilton Silva, classificação 10 anos, às 19 e 21h00, no auditório do CECHP, inspirado no universo dos contos orais brasileiros, conta a saga de um menino encarregado de levar uma misteriosa arca de madeira até um local distante, e "O Julgamento", de Haroldo Soares, com o Grupo Artecena, por ele dirigido, classificação 14 anos, às 19 e 21h00, na Cia do Sonho, monólogo onde o diabo resolve julgar os ditadores, após saber que existe um movimento entre os mesmos para sua possível exclusão do inferno.

OS DEZ MAIS estará de volta no dia 06, sábado, às 16, 18 e 20h00, classificação livre, com o clássico espetáculo "A Bela e a Fera", tendo à frente o muito respeitado e admirado Mestre Batista, no teatro-auditório do Centro Cultural. Também no dia 06, "Pluft, o Fantasminha", da escritora Maria Clara Machado, com o Grupo Grande Palco, dirigido por Willian Ferreira, no espaço Cia do Sonho. Dia 07, domingo, "O Pequeno Príncipe", de Saint-Exupery, com o Grupo Kataplasmas, dirigido por Sarney, classificação livre, às 19 e 21h00, também no Centro Cultural. O Grupo Face a Face, da vizinha Bocaiúva, estará apresentando, no dia 08/08, às 19 e 21h00, o espetáculo "Sertaneja, meu Amor", direção de Anderson Cleiton, no Centro Cultural. Na terça-feira, 09/08, o encerramento da grande Mostra, com o espetáculo "E que se danem as aparências", de Maria Luiza Carvalho de Souza, com o Grupo Teatral En Cena, por ela dirigido, classificação 14 anos, às 19 e 21h00, no Centro Cultural Hermes de Paula.

Agora é só trabalhar, mais do que sempre e mais do que nunca, para que Montes Claros, a "Cidade da Arte e da Cultura", ganhe o tão sonhado, esperado (muitas vezes "desesperado"!...) GRANDE TEATRO, com que tantas outras cidades mineiras e menores já contam, com um ou mais, na verdade, e da melhor qualidade! E Montes Claros, do alto dos seus 154 anos de elevação a cidade, como e onde (com que papel?!) fica nesta histórica novela sem fim da mais que necessária "Construção de um Grande Teatro"?!...

*Fotos Silvana Mameluque - Clique na Imagem para Ampliar
                                                         
                                              

terça-feira, 26 de julho de 2011

RUBINHO CATOPÊ PARTIU SEM AVISO

Filho mais novo do saudoso casal, Dona Ambrozina de Sena Almeida e Seu Cypriano Celestino Almeida, ela prima em primeiro grau de meu avô materno José Joaquim Pereira - velhos moradores da Rua João Pinheiro com General Carneiro -, Rubens de Sena Almeida, o nosso muito querido Rubinho, partiu para a terra do para sempre no último dia quinze de julho - Dia de Nossa Senhora do Carmo -, às portas de novas Festas de Agosto, que tanto amava, sem prévio aviso nem aos parentes mais próximos e melhores amigos, como lembrou e cobrou Alberto Sena. A esposa Florizana (a guerreira Flor, de infinita fé e força interior!), duas vezes prima, pelos Souza Lima do pai, Seu Antoninho, e Veloso da mãe, Baianinha, na verdade, mais que prima, irmã, me tentou avisar do súbito e triste fato, até o meio da noite, mas o celular desligado, infelizmente, como quase sempre, atrasou a triste notícia.

Na manhã seguinte, religo o celular e lá estava a mensagem de Flor: "Rubim partiu". Em princípio não quis acreditar naquele estranho e direto recado - Flor sabe que nunca estou preparada para este tipo de notícia -, confirmado pela prima comum, Suely, de Paulo César Almeida, o que me partiu o coração e, como sempre, fui amparada por minha filha, que gostava muito dele também, e se lembrou mais tarde de sua presença em seu aniversário no ano passado, onde era só alegria, alegria pura e suave, ao mesmo tempo que vibrante, contagiante! Sim, ele havia partido. 

A notícia não combinava em nada com o Rubinho com quem havia convivido, menos ainda conversado dois dias antes. Ele me parecia muito bem, e alegre, como sempre; tranquilo e otimista, amenizou a angústia do meu coração, quanto a algumas preocupações de família. Mandei e-mail para Flor, que estava em BH, fazendo exames médicos, informando que estava tudo bem com ele e Cyrano, graças a Deus. Rubinho podia combinar com tudo, menos com dor, tristeza, lágrimas, melancolia. Talvez por isso tenha providenciado uma imagem tão bonita na despedida, soprando no ouvido de Flor os seus últimos desejos: o belo terno branco e impecável do casamento, que lembrava na cor o "uniforme" do catopê autêntico, legítimo de agosto, com que compartilhava a devoção a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e ao Divino Espírito Santo; o rosto lindo, lindo (o "bonitim" dos inúmeros amigos!!), a expressão serena, da mais absoluta e perfeita paz!

Parecia o Rubinho Catopê de tantas Festas de Agosto, com o filho Cyrano ao lado, de uniforme branco e capacete de fitas coloridas, na cabeça erguida em respeito aos santos festejos. O mesmo Rubinho do Grupo Banzé de Zezé, chorado, cantado e lembrado, em prosa, verso e melodias de saudade, por amigos e companheiros como Peré, Tino Gomes, Tico Lopes e Chorró.


Rubinho trazia sempre como que estampado no rosto o coração puro e bom, que em poucos vi na vida; o bom caráter, a seriedade, a serenidade, o espírito solidário e a atenção e consideração nunca alteradas dos verdadeiros amigos.


Chegara a nome de referência entre os Procuradores Federais, junto ao INCRA, transferindo-se para o INSS, e mais adiante não foi, como poderia, na brilhante carreira, porque tinha concepções e convicções pessoais (e sociais!) muito fortes, profundas e pertinentes, para um país que no mais das vezes insiste em saídas ou soluções pouco justas, adequadas e, sobretudo, definitivas à população dos "Sem Nada" ou quase nada. O conhecimento amplo e seguro na área em que atuava, a experiência, capacidade e competência inquestionáveis, o texto irretocável, mas a visão de mundo e justiça social muito além do que o presente lhe apresentava ou oferecia e com que não concordava. Daí as frases curtas, repentinas, inesperadas, mas certeiras, e que, para muitos, sem a mesma acuidade mental, soavam estranhas, indecifráveis, até! Toninho, esposo de Terezinha Lopes e testemunha da caminhada profissional proficiente de Rubinho, em Brasília, Florianópolis e Belo Horizonte, fez longo e emocionante depoimento na Missa de Ressurreição. E, nas palavras ou versos de Flor, a síntese do que representou, em toda a sua plenitude, grandeza e simplicidade, o ser humano que tão cedo e inesperadamente nos deixava.

Por uma dessas coincidências excepcionais, me lembrou Terezinha Fróes que, ma mesma idade e causa, se foram o pai Cypriano e o irmão, seu esposo, Sidney. Tarcísio faleceu no exterior. Ficam os irmãos Cristiano (Netinho) e a amiga e escritora Geralda Magela, além dos sobrinhos, primos e incontáveis amigos e amigas, porque "Rubim" sabia ser amigo, verdadeiro amigo, e por isso manteve muitos e muitos nos seus sessenta e dois anos de vida, que considero tenha sido longa, se contados os problemas recorrentes de saúde que enfrentava, mas que Flor considera - e é verdade! - foi muito curta, curtinha demais, pois tinham ainda muitos planos e sonhos a realizarem e sonharem juntos, ao lado do filho maravilhoso que é Cyrano, bênção de Deus na vida dos dois!

"Senhor, quem entrará no Santuário prá te louvar? Quem tem as mãos limpas e o coração puro, quem não é vaidoso e sabe amar". Essa música não me saia da cabeça e foi por mais de uma vez cantada em seu velório, que contou com as "bentas e abençoadas" presenças e palavras dos padres João batista Lopes, o primo "Padre dos Catopês" (Tio de Flor), Antônio Avilmar, Monsenhor Osanan e Fernando. Eu e Bi chegamos cedo à Santa Casa e só saímos, com o querido casal amigo Duca e Haroldo Lívio, depois de deixá-lo, carinhosamente, na última morada.

A Missa de Sétimo Dia, na Capela do Colégio Imaculada Conceição, repleta de familiares e amigos,   celebrada pelo querido Dom Geraldo Majela de Castro, Bispo Emérito de Montes Claros, quem celebrou, vinte e seis anos antes, o casamento de Rubinho e Flor. Foi concelebrada pelo também querido, tio Padre João Batista Lopes o "Padre dos Catopês".

Com o coração ainda triste e comovido, imagino-o nos bons e efervescentes "tempos da Cristal", que tão bem vivera, como lembra o grande historiador e amigo Haroldo Lívio; vejo de novo, de forma marcante, na lembrança, o seu sorriso sempre aberto e amigo; a alegria imensa - sublime dom de Deus! - que continuamente celebrava, mesmo que passando por problemas os mais difíceis, ou se lembrando de outros, tristemente inesquecíveis.

Rubinho, primo-irmão e companheiro indispensável de boas conversas, casos e risos, que para todos representou e representa, agora com mais força e poder maior, ao lado de Deus, momentos alegremente e saudosamente inesquecíveis!... 

Durma em paz, amigo fiel e querido, o sono bom e santo dos justos e dos anjos, como você, divinos, celestiais!... 


"A retirada, a retirada 
Ê meus camarada 
Ê meus camarada..."

Amiga Raquel.
                                           
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Trecho de mensagem da Família e Amigos:

“Meu amigo, que Jesus te envolva na maior e mais brilhante luz da compaixão. Que nossos amigos da espiritualidade te acolham com carinho e generosidade. Aqui, neste momento, está findada sua passagem, mas seguirá pela eternidade, pois Deus nos criou imortais e caminharemos sempre até sermos como Ele... Plenos. Paz, luz e entendimento, irmão”.        
                                                                       (Tino Gomes)
                                  
OBRIGADO SENHOR

Pelo filho amoroso,
Pelo irmão afetuoso,
Pelo amigo sincero,
Pelo profissional correto,
Pelo esposo presente,
Pelo pai zeloso,
Pelo Homem inteiro
que nos presenteastes na pessoa de RUBINHO.

Saudades eternas da esposa, filho, irmãos, familiares e amigos.

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sábado, 9 de julho de 2011

VIDA E OBRA: RAY COLLARES

Nome: Raymundo Felicíssimo Colares
Pai: Felicíssimo Ferreira Colares
Mãe: Joana Natalina Colares (Dona Joaninha)
Naturalidade: Grão Mogol – MG
Nascimento: 25 de abril de 1944

Raymundo Colares, com sete anos, passou a residir em Montes Claros, onde fez o curso primário no Colégio Imaculada Conceição. Pensando ter  vocação para ser padre, estudou dois anos no Seminário Diocesano Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças, entre 1955 e 1956. Vendo que não era essa a sua verdadeira vocação, deixou o Seminário e foi cursar o ginasial no Colégio Estadual Plínio Ribeiro, onde permaneceu até a metade do 3º ano científico.

Em seu tempo de estudante, em Montes Claros, trabalhou na Papelaria Nice, onde teve oportunidade de conviver com cartões postais, papéis coloridos e com a própria Nice David, que trocou com ele a sua experiência e sensibilidade artística, de onde, talvez, tenham nascido os seus famosos “gibis”.
Na metade do 3º ano científico, ganhou bolsa de estudos da SUDENE, que lhe possibilitava estudar o restante do curso em Salvador e cursar, depois, Engenharia Civil na universidade da mesma cidade. Assim, no final de julho de 1964, Raymundo Colares deixou Montes Claros, seguindo para a capital baiana, onde concluiu o Científico no Colégio Estadual da Bahia. E foi em Salvador, convivendo com toda aquela beleza natural e histórica, que ele descobriu a sua verdadeira vocação, ou seja, a pintura. Lá ele compôs as suas primeiras telas, numa série denominada “Alagados”. Entusiasmado, não chegou nem a fazer o vestibular. Em Fevereiro  de 1965, dispensou a bolsa e mudou-se para  o Rio de Janeiro, pois sabia ser ali o centro da cultura e da arte brasileira.

No Rio, para sobreviver, conseguiu um emprego de desenhista de jóias na Joalheria Hstern, onde permaneceu até Julho do mesmo ano, quando voltou a Montes Claros. Só em Janeiro de 66 retornou ao Rio, prestando vestibular para a Escola de Belas Artes, onde concluiu o primeiro ano, abandonando, em seguida, o curso, por entender que não era a melhor maneira de aprender Arte, preferindo, assim, fazer cursos livres e prosseguir nas suas pesquisas como autoditada, com Ivan Serpa. Em meados de 1966, juntou-se ao pessoal jovem que fazia parte da vanguarda brasileira, dentre eles Wanda Pimentel, Roberto Magalhães, Carlos Vergara, Antônio Dias, Antônio Manuel, Lígia Pape, Hélio Oiticica, e muitos outros. Em abril de 1967, participou, junto a esses e outros artistas, no Museu de Arte Moderna, da mostra Nova Objetividade Brasileira. Ainda em 1967, participou da V Exposição de Arte Brasileira, ENBARJ e da Coletiva Galeria Contemporânea  de Campinas.

Naquela  época, ministrava cursos de Artes e Atelier Livre, lecionando também desenho em colégio de Niterói. Retornando da Itália em dezembro de 1973, e permanecendo em Montes Claros até 1981, Ray Colares pintou paisagens para sobreviver às dificuldades, que não eram poucas, quadros estes que eram vendidos a amigos, que até hoje  os guardam.

Na sua vontade de ser útil e servir a Montes Claros que tanto amava, aceitou convite de Dona Marina Lorenzo Fernândez para organizar um curso técnico de Decoração, no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernândez, onde lecionou no período de 28 de fevereiro de 1976 a 31 de janeiro de 1979 as seguintes disciplinas: Pintura em Tela, Composição Artística, Desenho I e II, História das Artes e Artesanato.

Em 1981, retornou ao Rio de Janeiro, montando apartamento em Teresópolis. Em 1985, sofreu acidente no Rio, vindo a falecer, no ano seguinte, em Montes Claros, no dia 28 de março, em consequência de trágico acidente com cigarro, que incendiou a cama do Hospital Prontomente, onde se internara.
No ano de sua morte, 1986, foram realizadas três pequenas retrospectivas em sua homenagem. A primeira na Galeria Brasil-EUA-IBEU, em 25 de Junho, até 15 de Julho; a segunda na Galeria do Centro Empresarial Rio, de 07 de Junho até o dia  31, do mesmo mês, e, finalmente, a retrospectiva “Depoimento de uma Geração”, na Galeria do Banerj, em Julho. Em 9 de dezembro de 1987, foi selecionado com mais dezenove artistas  brasileiros, para mostra que houve em Paris, mostrando a arte brasileira, no século XX.
Ainda em 1987, foi feito pelo cineasta carioca Sérgio Wladymir Bernardes, um vídeo sobre a sua obra, denominado “Collares”, patrocinado pela Funart, Prefeitura Municipal de Montes Claros, Prefeitura Municipal de Grão Mogol, Secretaria de Estado de Cultura/MG e empresas privadas montes-clarenses e fluminenses, com especial apoio da poetisa, cronista e jornalista Raquel Mendonça, amiga pessoal do artista, que recebeu agradecimentos especiais nos créditos finais do filme-vídeo.
O belo Vídeo Arte “Collares” foi merecidamente premiado na China.

No dia  do 1º aniversário de sua morte, um grupo de  artistas montes-clarenses, tendo à frente a bailarina Ymma Martins e a escritora Raquel Mendonça, que deu texto ao Estatuto, criou a Fundação de Artes Ray Collares-FARC, que ganhou do ex-Prefeito de Montes Claros, Mário Ribeiro (irmão de Darcy Ribeiro), grande terreno no Bairro Ibituruna, para a edificação de sua sede. O extraordinário arquiteto e urbanista, além de artista plástico excepcional (escultor), saudoso Andrey Christoff, fez o belíssimo projeto da sede da FARC, que reuniria amplo teatro, Galeria de Artes, Sala Ray Colares, Museu da Imagem e do Som e outros espaços culturais, o que não se consolidou, porque a FARC não cercou o terreno em tempo hábil, previsto em lei, para que dele pudesse tomar posse, perdendo-o.
                                             
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NOTA: Como membro-fundadora e ex-Presidente da FARC, lamentamos que a FARC tenha perdido o terreno doado por Marão, embora inúmeros eventos culturais tenham sido realizados no teatro-auditório (Sala Cândido Canela) do Centro Cultural Hermes de Paula pró-FARC, ou seja, para esse fim, - cercar o terreno e nele construir pequeno escritório de obras, o que teria garantido a posse do mesmo - com todos os custos dos eventos pró-FARC cobertos através de apoio financeiro ou patrocínio por nós sempre garantido junto a empresas locais, sem contar o compromisso firmado entre a FARC e grandes empresas da cidade para a doação de quantidades significativas de materiais de construção necessários às obras de edificação da sede da FARC, além dos famosos “Leilões da FARC”, para os quais colaboraram com doação de obras (pinturas, esculturas, etc) os maiores artistas plásticos da terra, além de nosso acervo pessoal de artes também doado para esse fim. No entanto, os recursos resultantes de todo o empenho em longo e árduo trabalho não foram, infelizmente, depositados na conta da FARC, para os devidos fins, pela pessoa que os recolhia. E a FARC se transformou, assim, num projeto que está longe, muito longe, da vida e da obra de Ray Collares, que a inspirou!...

O acervo documental e material da FARC foi por nós encaminhado ao Museu do Folclore, através do então Diretor de Patrimônio do Centro Cultural Hermes de Paula, Augusto Gonzaga, em 1986, quando respondíamos pela Secretaria Municipal Adjunta de Cultura de Montes Claros, atendendo a pedido de  Maria José Collares Moreira (Zezé Collares), que o dirigia e pretendia ali criar a “Sala Ray Collares”, acervo este ali recebido, conforme declaração nesse sentido, pela historiadora Martha Verônica Vasconcelos Leite, que trabalhava no Museu/UNIMONTES na ocasião.

Em 2005, coincidentemente quando estava sendo escolhido o nome do novo Secretário Municipal de Cultura de Montes Claros, e o nosso nome figurava com destaque em lista apresentada por artistas da terra ao prefeito eleito, cobraram-nos absurdamente “no Ministério Público”, - como se desconhecessem nosso endereço residencial, de trabalho e telefones e, de modo especial, os fatos - o material documental, ou seja, os “papéis documentais” da FARC, que se encontravam no Museu de Zezé, prima de Ray. Poderíamos, na ocasião, além de informar, como o fizemos, onde se encontrava o acervo da FARC, ter oferecido denúncia contra aquela senhora da diretoria da Fundação, quanto aos “papéis moeda” pertencentes à FARC e desviados, ou seja, todo o dinheiro reunido nos inúmeros eventos culturais pró-FARC e desaparecidos em conta e interesses (despesas) pessoais. Mas como é de nosso feitio, sempre que sofremos injúria, calúnia ou assédio moral, não fizemos nenhuma queixa ou denúncia contra ninguém, porque acreditamos que “o mal fica com quem faz ou fala, não com quem o recebe”.

Pena que a FARC não tenha passado de um sonho, um sonho imenso, muito bem desenhado e definido pelo grande Andrey! Mas outras, maiores e melhores homenagens, certamente virão ao grande e (e)terno artista e amigo Ray. Ele (somente ele) merece!...

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REINAUGURAÇÃO DO “SOBRADO DOS VERSIANI-MAURÍCIO”

A Prefeitura de Montes Claros, através da Secretaria Municipal de Cultura, reinaugurou, no último dia 13 de maio de 2011, com solenidade e rica programação cultural, o “Sobrado dos Versiani-Maurício”, popularmente conhecido como “Casarão dos Maurício”, localizado na Rua Cel. Celestino, nº 99, esquina com Rua ou Beco Cabo Santana (fundo da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José), no Centro ou Perímetro Histórico da cidade, tombado e desapropriado pelo município, em razão do péssimo estado de conservação em que se encontrava à época, conforme previsto em lei.

O importante e imponente prédio histórico, considerado um dos quatro mais notáveis da cidade pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais - IEPHA/MG, - junto ao “Sobrado da Escola Normal/FAFIL” ou prédio da FAFIL, situado na Rua Cel. Celestino, nº 75; “Palácio Episcopal”, na Praça Dr. Chaves ou da Matriz, nº 52 e “Solar dos Oliveira”, hoje Solar dos Sertões, do Centro de Agricultura Alternativa-CAA, na Praça Dr. Chaves, nº 152, - foi edificado no início do século XIX pelo Capitão José Pedro Versiani, e inaugurado em 1812, considerado pelos historiadores Nelson Viana e Hermes Augusto de Paula o prédio mais antigo da cidade, com quase 200 anos de construção.

Conforme escreveu Hermes de Paula em seu livro “Montes Claros, sua História, sua Gente, seus Costumes”, o sobrado da família Versiani-Maurício foi um dos citados pelo naturalista francês, Saint-Hilare, quando de sua passagem, em 1817, pelo antigo Arraial das Formigas, que deu origem à cidade.

De grande porte e excepcional valor histórico, cultural e arquitetônico, o “Sobrado dos Versiani-Maurício” foi inteira e primorosamente restaurado pela Construtora Restaurare Ltda., empresa da capital especializada no setor, da qual se destacam os nomes do engenheiro civil Renato Pinheiro Cury e do Restaurador (“Mestre Artífice”) Aupim Honorato Campos. As obras de recuperação foram realizadas, fase a fase, com base estritamente nos projetos arquitetônicos assinados pela grande arquiteta e urbanista montes-clarense, residente em Belo Horizonte, Clarissa de Oliveira Neves, especializada em Revitalização Arquitetônica e Urbana pela UFMG, que garantiram a aprovação dos mesmos junto ao Fundo Estadual de Cultura-FEC, cujos recursos possibilitaram as extremamente perfeitas e minuciosas obras de restauro, com contrapartidas da Prefeitura de Montes Claros.

O Sobrado, dentro do Sistema Construtivo Tradicional, é constituído de estrutura autônoma de madeira e vedação em adobe e taipa, com o ritmo das fachadas modulados por cunhais revestidos de massa. A presença de cimalha em massa entre o térreo e o pavimento superior e outros fatores levam a crer tratar-se originalmente de uma casa térrea.
Com a sua reinauguração, o belo “Sobrado” abriga, no pavimento superior, a Secretaria Municipal de Cultura e, no pavimento térreo, o setor de Patrimônio Histórico ou Divisão de Preservação e Promoção do Patrimônio Cultural de Montes Claros, de que somos Responsável Interina desde janeiro de 2009, bem como o Projeto PROMEMOC – Pró-Memória de Montes Claros, concebido pelos historiadores (pai e filho) Hermes e Virgílio de Paula, sob a coordenação do jornalista, cronista e pesquisador Luis Carlos Novaes, que se constituirá em núcleo do futuro Museu da Imagem e do Som de Montes Claros.

Ildeu Braúna, Secretário Municipal de Cultura, enfatiza a importância da continuidade e conclusão cuidadosa da obra de restauração do “Sobrado dos Versiani-Maurício” pela atual administração, sob a gestão financeira de Sérgio Diniz, com participação do Chefe da Divisão de Cultura, Roberto Marques, em detalhamentos finais de elementos artísticos do prédio, lembrando, ainda, que outros projetos relacionados a prédios históricos da cidade se encontram em andamento, especialmente quanto ao “Sobrado de Dulce Sarmento”, localizado na Rua Justino Câmara, esquina com Coronel Celestino, e à criação do chamado “Corredor Cultural”, no Núcleo Histórico da cidade, constituído pela Praça Dr. Chaves/da Matriz e adjacências.

* Fotos Silvana Mameluque - Clique na Imagem para Ampliar


quinta-feira, 7 de julho de 2011

EXPOSIÇÃO COLETIVA “TEMPOS MODERNOS” EM HOMENAGEM A RAY COLLARES

2011: "ANO RAY COLLARES EM MONTES CLAROS"

No dia 1º de abril de 2011, às 20h00, foi aberta na Galeria de Artes Godofredo Guedes do Centro Cultural Hermes de Paula, a Coletiva “Tempos Modernos”, em homenagem ao extraordinário artista plástico Raymundo (Ray) Collares, considerado um dos vinte melhores artistas do mundo, na Coletiva “Modernidade”, realizada em 1988 em São Paulo, nos 25 anos de sua partida. O grande e importante evento cultural foi uma promoção da Secretaria Municipal de Cultura/Prefeitura de Montes Claros e do Centro Cultural Hermes de Paula, que têm à frente os competentes nomes de Ildeu Braúna (Secretário de Cultura), Roberto Marques (Chefe da Divisão de Cultura) e Rita Maluf (Diretora do Centro Cultural), em parceria com a Associação dos Artistas Plásticos de Montes Claros, através de Felicidade Patrocínio, Adilson Cardoso e Lúcio Saraiva, com apoio de Therezinha Collares, irmã e companheira de caminhada do artista (também artista plástica, com seus belos mosaicos) e de Felicidade Tupinambá, na cessão de obras e serigrafias do artista homenageado, assim nosso, enquanto promotora cultural e grande amiga do artista, que de nós recebeu todo apoio em vida. Na montagem da bela exposição, à altura do talento e expressão universal do nome de Ray Collares, estavam os experientes e competentes nomes de Augusto Gonzaga e Eustáquio Freire, e do decorador César Costa.

Participaram da grande exposição coletiva com pinturas e desenhos, a maioria dos trabalhos dentro do estilo próprio de cada um, embora muitos lembrassem, nas técnicas, temática e forma de apresentação, as artes excepcionais de Ray: Carlos Muniz, Sérgio Ferreira, Gemma Fonseca, Afonso Teixeira, João Rodrigues, Hélio Brantes, Márcia Prates, Gu Ferreira, Conceição Melo, Walmir Alexandre, Júlio Vallim, Biolla, Ray (Nonato) Mendes, Raquel Monteiro, Marcos Leite, Lúcio Saraiva, Márcio Antunes, Igor Christoff, Márcio Leite, Guilhermina Lúcia, Henrique Torres, Lourdes Mota, Jouse Veloso Rocha, Andréa Cardoso, Francisco Lopes, Lirs Helena, Jussara Nassau, Fátima Raquel, entre outros.

Após a abertura da exposição, foi exibido, na Galeria do Centro Cultural, o Vídeo Arte “Colares”, do cineasta carioca Sérgio Wladymir Bernardes, premiado na China. Na porta do Centro Cultural, um ônibus cedido por uma tmpresa de transportes, apontava para o seu destino: “Tempos Modernos”.

Raymundo Collares, que admitiu influências diretas do futurismo italiano, com a mesma preocupação em retratar a dinâmica e a velocidade da vida moderna, recebeu seu primeiro prêmio aos 23 anos, em 1967, na V Mostra do Ciclo Retrospectivo de Arte Brasileira, na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, seguido de muitos outros, no país e o mundo. Do final dos anos 60, até l986, ano de seu falecimento, aconteceram a revelação e a grande consagração de um artista absolutamente único na arte brasileira! A obra de Ray Collares, sem precedentes, fez a fusão sensível entre o legado construtivo dos anos 50 e as tendências oriundas da arte norte-americana, da pop ao minimalismo.

A pintura de Collares é, na verdade, uma reedição de cortes efetuados no plano, na totalidade da imagem ou unidade, fragmentando e reconstruindo tais pedaços de forma pulsante, intrigante e instigante, como se fosse a fragmentação do espaço e do tempo do próprio homem urbano nas grandes cidades. A visualidade fragmentada e o dinamismo – a velocidade! – levou Ray ao “tema” fundamental de sua produção, ou seja, o ônibus urbano e suas coloridas, diversificadas e “velozes” fachadas laterais. Sobre isso, disse Ray Collares: “É como um homem que tem uma trajetória a cumprir e a fará de qualquer maneira, apesar de encontrar outras forças em sentido contrário...”


* Fotos Silvana Mameluque - Clique na Imagem para Ampliar
                                                                                                                                                  
                                                      

APRESENTAÇÃO

Depois de algum tempo afastada da imprensa escrita da cidade, retorno com a página cultural, agora virtual, “Arte e Fatos", que criei e assinei durante quase dez bons anos no Jornal de Notícias/JN, publicada aos domingos no Caderno coordenado pela amiga Angelina Antunes.  

Escrevi por longos e também bons anos a página "Cultura e Cia", quando mantive, no período de 1980 a 1985, rica correspondência com Drummond, porque me atrevia a 'reescrever' seus poemas mais populares em minha página. Dele recebi, por exemplo, pequena mas significativa missiva, do Rio, em 7 de outubro de 1985: "Cara Raquel: José e a pedra ganharam, na sensibilidade de você, uma fisionomia nova. Obrigado pelo carinho em que envolveu meus poemas. O abraço afetuoso de Carlos Drummond. PS.: Por que você não assina o nome todo no jornal? Raquel é tão bonito (...) e sugestão!" Passei, desde então, a assinar Raquel Mendonça e não mais R. Mendonça, como fazia. Todos conhecem a nossa imensa paixão e profundo compromisso com a arte, a cultura e a história da cidade, ou seja, com todo o seu patrimônio cultural, não apenas o histórico, pelo qual trabalhamos, melhor dizendo, lutamos - corretamente, seriamente, honestamente e, se necessário, bravamente! - há cerca de 40  (quarenta!!!) anos! Não há, pois, como deixar de registrar, de alguma forma, a arte e os fatos que envolvem ou cercam a "Cidade da Arte e da Cultura" e Norte de Minas.  

A página é aberta a todos os artistas ou fazedores culturais, bem como produtores e gestores culturais da cidade e região, para assuntos e projetos de seu interesse. Pretendemos contemplar os segmentos artístico-culturais montes-clarenses e norte-mineiros da forma mais ampla e completa possível: a música, a literatura, as artes plásticas, o artesanato, o teatro, a dança, o cinema... tudo, absolutamente tudo e para todos!... Enviem, pois, as suas notícias e projetos, que teremos imenso prazer em divulgá-los nesta página, feita para cada um de vocês que fazem a cultura montes-clarense/norte-mineira tão infinitamente rica, bonita e tão densa, forte, diversificada!...

Obrigada e sempre amiga,

Raquel.


Proibida Reprodução


terça-feira, 5 de julho de 2011


|Jornalista|                
Raquel Mendonça 
    
|Editora|
Ana Bárbara Mendonça

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E-mail: patrimoniohistoricomoc@gmail.com

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