sexta-feira, 27 de março de 2015

LIVRO DE RECEITA DE AMOR PERFEITO

  - Dr. Pedro Mameluque Mota e o Mal de Alzheimer -

* Raquel Mendonça


"Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. " (Padre Fábio de Melo)


Maria da Glória Caxito Mameluque, a nossa grande e querida escritora (além de graduada em Enfermagem pela PUC/MG, em Direito pela FUNM, hoje UNIMONTES e, ainda, em Psicologia) Glorinha Mameluque, nos presenteou ontem, com exemplar de seu último livro, através da dedicada nora e nossa prima Liliann, - filha de Tim (Vicente Ribeiro Rocha), meu tio e um segundo pai para mim, nas mãos de quem vi recentemente em sua fazenda este raro e extraordinário livro, que ele elogiava e com o qual se dizia emocionado - "SABEMOS QUEM ELE É (Convivendo com o Alzheimer)", que Glorinha escreveu em parceria com a querida e sensível filha Christina Mameluque Lúcio, Tina ou Chris, como é conhecida, Dentista pela Faculdade Federal de Diamantina, e escritora, como a mãe. A "Dedicatória" diz tudo: "Dedicamos este livro a PEDRO MAMELUQUE MOTA, que fez da sua vida um exemplo a ser seguido, sendo motivo de nosso orgulho e admiração."

Foi um verdadeiro banho de sabedoria e emoção! Li num só fôlego e não parei sequer para secar as lágrimas, rosto abaixo, apesar de ter chegado ao pranto na página 70, antes da Parte II (Depoimentos), quando foi preciso parar um pouco e me refazer, para voltar a ler!

Se existe no mundo uma "Receita de Amor Perfeito", bem feita, eficiente e comovente, para um Mal ainda não completamente esclarecido pela ciência, considerado sem cura, este é o livro de Glorinha "Amormeluque", que todas as pessoas que têm um parente ou um amigo passando por ele, qual seja a fase ou grau, devem lê-lo! Na verdade, todos, indistintamente, devem fazê-lo, levando em conta as sábias palavras do filho (e Juiz de Direito) Leo, o nosso muito querido, respeitado e admirado Leopoldo Mameluque: "Vejo com clareza que, um dia, também poderei ser colhido pela doença e pela velhice, como o meu pai o foi, e que, por isto, devo ter sabedoria e grandeza para entender que esta é uma etapa de vida pela qual todos nós, um dia, poderemos passar, devendo estar preparados para ela".

Falar de tudo que o Dr. Pedro Mameluque Mota foi, é, será sempre e representa certamente ultrapassaria em muito 120 páginas de texto, mas aqui transcrevo a síntese biográfica deste homem exemplar, de excepcional importância e grandeza humana: "Pedro Mameluque Mota, advogado por mais de 50 anos em Montes Claros, Prefeito de São Francisco por dois mandatos, Diretor Comercial da Companhia de Navegação do São Francisco, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB local por vários anos, Vice-Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Montes Claros, Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Montes Claros, fundador e membro atuante do Encontro de Casais com Cristo e da Pastoral Familiar, onde exerceu o cargo de Coordenador Regional e Vice-Coordenador Nacional, palestrante (brilhante!) por mais de 30 anos, Membro da Diretoria do Automóvel Clube de Montes Claros, conciliador do Juizado de Pequenas Causas por muitos anos, até que esse foi extinto. Fundador da Pastoral Carcerária, fundador e primeiro Presidente da APAC e Presidente do Conselho Penitenciário Regional, entre muitas outras funções que exerceu com competência, honestidade e dedicação." (Pág. 93). Na página 82, vem em destaque pensamento de Martin Luther King, que bem traduz ou resume o retratado e ilustra suas grandes qualidades e valores: "Não quero deixar atrás nenhum dinheiro, coisas finas e luxuosas. Só quero deixar atrás uma vida de dedicação. E isso é tudo o que tenho a dizer: se eu puder ajudar alguém a seguir adiante, animar alguém com minha canção, mostrar a alguém o caminho certo, cumprir o meu dever de cristão, levar a salvação a alguém, divulgar a mensagem que o Senhor deixou, então a minha vida não terá sido em vão."

Se não sabemos direito o que é o Mal de Alzheimer e suas variações, sabemos quem ele, Dr. Pedro Mameluque Mota, é!

Recebeu, em junho de 2012, justa e merecidamente, uma insígnia no Tribunal de Justiça em Belo Horizonte, a "Medalha Desembargador Ruy Gouthier de Vilhena", concedida àqueles que se destacaram no exercício do Direito: "É prova de mérito unicamente pessoal a pessoas que vinculam suas vidas em prol do bem comum, mais focadas nas necessidades dos seus semelhantes do que absorvidas pelas próprias vontades". Da OAB recebeu placa com os seguintes dizeres: "Sua atuação por mais de 50 anos na advocacia é motivo de orgulho e exemplo de ética para toda a classe dos advogados." E a APAC - Associação de Proteção e Assistência aos Condenados o agraciou com o título de Presidente Benemérito da APAC/MOC. Lê-se, na placa: "Pelo incansável trabalho em prol de melhores condições no cumprimento da pena para o condenado, nosso eterno reconhecimento." Da Câmara Municipal de Montes Claros, recebeu o título de "Cidadão Benemérito". Entre os presentes à solenidade, Dom José Alberto Moura e Dom Geraldo Majela de Castro. É preciso lembrar aqui o Monsenhor Alencar, "sempre presente, em todos os momentos, de festa e alegria, de dúvidas e tristeza, não faltando a música para alegrar o ambiente e fazê-lo feliz.", gloriosas palavras de Glorinha. Leo no teclado, ela abraçada ao "Seu" Pedro, como que dançando, embalados pela música "Relógio", marcando para sempre aquele momento... "Por que não paras, relógio?!"

E por que mãe e filha escolheram escrever este livro?! Elas mesmas explicam as razões essenciais: "Sempre que alguém se refere ao Mal de Alzheimer, o único sintoma que cita são os problemas da memória. Mas esse não é o principal sintoma que causa maior impacto em toda a família que tem um portador desse mal. (..) ... só quem convive com ela é que sabe realmente o que acontece. (...) Esperamos que com isto possamos ajudar alguém que convive com esse mal. É preciso ter paciência, é o que todos dizem, mas corrigimos: É preciso ter muito amor, pois a paciência se esgota, cansa, mas o amor jamais se cansará e permanece para sempre!"

Maria Ruth das Graças Veloso Pinto, também membro, como Glorinha, de Academias de Letras da cidade, bem avalia, em seu Prefácio: "(...) Esta obra, ou seja, o relato de todas essas situações vividas, analisadas, pesquisadas, sentidas, e cobertas pela capa do amor, com certeza têm um cunho social de uma grandeza ímpar. (...) E assim, nesse trabalhar pela mudança de mentalidade, resultante dessa função social do autor, é visto nesta obra com vigor e amor! (...) É uma notável obra social humanitária, indicadora de setas prognosticadoras e solucionadoras; buscando suavizar uma situação sofrida, tanto para quem a vivencia, quanto para os familiares, enfim, de todos os que se correlacionam, como cuidadores, especialistas, etc. É focada ainda nas entrelinhas da obra, a caracterização clara, sintomática da doença, favorecendo o antecipar do tratamento, ou a forte redução dos malefícios causados pelo Alzheimer. Porém, o leitor se envolve na obra de tal forma que lágrimas caem, quando se expressam sobre como era o Pedro antes e o depois, e nós, como amigos, companheiros de longa jornada da Pastoral Familiar, somos tocados, quando falam das atitudes e que em nada são compatíveis com o que era antes; capaz, eficiente, eloquente, um grande pai, um esposo exemplar, um profissional gabaritado, um cristão fervoroso."    

Na última vez em que vi o Dr. Pedro, ele saia de casa, leve, cuidadosa e suavemente amparado por Glorinha, quando desci, me aproximei dos dois e os cumprimentei normalmente, como se nada houvesse ou soubesse de diferente, perguntando como estavam, beijando Glorinha no rosto e abraçando carinhosamente "Seu" Pedro, que retribuiu o abraço, sorrindo o mesmo sorriso amável e generoso de sempre! Rico como poucos de alma, espírito e coração, é referência de gentileza, cortesia, elegância de ser e fino trato com todos, sem qualquer tipo de diferença ou distinção, além da extrema competência, correção de procedimento, seriedade e integridade, por todos conhecidas e reconhecidas! Portanto, Leopoldo Mameluque, filhos, irmãos e sobrinhos têm a quem puxar - herança de inigualável valor! -, numa mistura perfeita de pai e mãe exemplares!

Em sua Monografia, no curso de Direito, o neto Fernão fez constar na parte de "Agradecimentos": "Agradeço ao vovô Pedro, meu segundo pai. Amo a forma como você levou sua vida: homem gentil e honesto como nunca vi. Obrigado por sempre se preocupar comigo, serei seu braço forte sempre que precisar de apoio, serei suas pernas quando não aguentar mais andar, serei seu motorista nota 10 quando quiser passear, serei o que você precisar." Lindo, meu filho, belas palavras e gesto, dignos de um "neto nota 10 do bom avô - e advogado que o inspirou - nota 1.000". Que as palavras de Theotônio Negrão (1996) também o guiem no exercício do Direito, quanto guiaram tão bem o seu excepcional avô: "Não tive outro juiz em minha vida, senão a minha consciência. Nunca abdiquei de minha independência profissional. Fui fiel a mim mesmo. Não me curvei aos poderosos, nem tripudiei sobre os fracos. A riqueza e o poder jamais me fascinaram; a vida é muito curta e bela demais para que se a desperdice correndo atrás desses dois impostores". (Pág. 52)

Fico a imaginar quanto o Dr. Pedro, do alto de seu notável espírito de justiça e dignidade, deve ter se lembrado do que escreveu Ruy Barbosa, quando algo ou algum fato o deixava triste, chateado, até mesmo, ainda que costumeiramente movido pela moderação, indignado: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (Pág. 65)
                                
De modo especial, quanto à popular, sem nenhum tipo de defeito ou completamente escorreita honestidade do pai, Cristina lembra que, para ele, ser honesto é tão somente uma obrigação: "(...) Viveu maravilhosamente bem até os 75 anos. Meu pai era extremamente educado, cavalheiro, de uma cultura invejável, honesto (inclusive ficava irritado quando alguém se intitulava honesto, ele falava que isto era obrigação e não qualidade!...").
         
 Marcelo Mameluque Mota, "Seu" Marcelo, irmão para o Dr. Pedro inesquecível, ditou a Gustavo o que era Pedro para ele: "Homens como Pedro são raros. É o homem mais fiel que já conheci. Fiel a Glorinha, fiel aos filhos, fiel aos amigos, fiel aos desamparados, fiel aos seus valores e sentimentos, sonhador. Desde criança. Nunca mentiu. Nunca agrediu. Se levantou a voz é porque se indignava com a intolerância. Quando todos nós ainda tentávamos compreender o que acontecia, ele há muito já tinha, com sua sabedoria, chegado às conclusões." Deus o tenha, "Seu" Marcelo, na mais santa paz, e seja hoje um Anjo do Senhor a proteger o seu irmão, nessa longa - e dolorosa! - estrada surpreendente da vida!

Permeiam o livro significativas fotos de família e, antes do belo e final "Álbum de Fotos", os que tiverem a oportunidade, alegria e emoção de ler este livro, se depararão também com o poema "As Sem-Razões do Amor", de Drummond ("Quando não há mais certezas possíveis, só o amor sabe o que é verdade".); a mais bela descrição (bíblica) do amor: 1 Cor., 13, 4-7;  trecho do livro "Para sempre Alice"; palavras de Dom Marcos Barbosa ("...Que o homem não separe o que Deus uniu!"); Tancredo Macedo; o grande Carlos Drummond de Andrade de novo: "Se em toda parte o tempo desmorona/ aquilo que foi grande e deslumbrante,/ o antigo amor, porém, nunca fenece / e a cada dia surge mais amante./ Mais ardente, mais pobre de esperança./ Mais triste? Não. Ele venceu a dor, / E resplandece no seu canto obscuro, / tanto mais velho quanto mais amor."; Rolando Boldrin; Eclesiastes, 3, 1-3; Dom Geraldo Majela de Castro, no prefácio de "Memórias de um Álbum de Família", também da nobre autora. E palavras proféticas do próprio Pedro: "(...) É esse tipo de AMOR que quero para minha vida. O verdadeiro que não se resume ao físico, nem ao romântico. O VERDADEIRO AMOR É ACEITAÇÃO DE TUDO O QUE O OUTRO É. DE TUDO QUE FOI UM DIA... DO QUE SERÁ AMANHÃ... E DO QUE JÁ NÃO É MAIS..."     
                                  
Não tenho palavras para descrever o depoimento de Jorge Lúcio (engenheiro mecânico e piloto comercial), companheiro de Christina - para quem a paciência cansa, mas o amor não. Ele supera tudo. E é ele que nos move, contando sempre com a confiança em Deus e a proteção constante de Maria, nossa mãe - que com a esposa se mudou para a casa de Glorinha e Pedro, junto ao filho e primeiro neto Fernão Gabriel Mameluque Lúcio, a fim de dar-lhes o apoio e suporte necessários em todos os momentos, "para facilitar a vida deles nestes momentos difíceis de suas vidas. (...) Graças a Deus, esta foi uma medida que parece ter trazido um alento e um conforto para eles! E se isto puder trazer mais qualidade de vida para meu sogro, ficaremos o quanto for necessário, tomara que ainda por muitos anos." Hoje, depois de tudo que ficou no passado, e com o verdadeiro presente em que ele se transformou em sua vida, "Seu" Pedro, não resta dúvida, certamente diria: "este foi o genro que pedi a Deus, o melhor esposo para a minha filha!" Mas pequena parte do belo e longo depoimento do genro e "Comandante" chamou particularmente a minha atenção: "(...) Este foi mais um grande exemplo de vida que minha esposa Chris deu-me, pela forma como ela vem enfrentando este fato na vida do seu pai. Ela não procura os motivos, a razão da doença, formas de contornar o problema ou mesmo ignorá-lo. Desde o princípio, assumiu que ela deveria mudar a maneira de tratar o pai, em seu benefício. Afinal, estava aí o destino dando-lhe a oportunidade de retribuir um pouco do que ela recebera durante toda a sua vida deste homem que se dedicou integralmente à família por toda a sua existência! E assim Chris passou a colocar na sua agenda o pai sempre em primeiro lugar."

São também verdadeiras e preciosas palavras do hoje mais que genro, super amigo Jorge Lúcio: "Todos os filhos participam nos cuidados com o pai, com destaque para Leopoldo, sempre presente e com uma determinação incrível para manter Dr. Pedro em constante atividade e com uma vida o mais próximo do normal. (...) é o amor que ele tem pelo pai e a vontade de participar de sua vida de forma intensa! (...)" Leopoldo, junto a Liliann e os filhos Pedro, Pedrinho (meu querido Pepeu, Pepê, Pê, nome do grande avó, para seu orgulho, e cara do pai...), as gêmeas Sara e Maria, duas dos meus doces encantos de família, deixou uma carreira consolidada em Belo Horizonte para voltar a morar em Montes Claros, o que foi quase um "começar de novo...", a fim de dar o devido apoio à mãe na atenção permanente e cuidados especiais com o pai! Glorinha me disse na Secretaria de Cultura, dias atrás, quanto isso foi fundamental para ela, para eles!... No Depoimento "Sorriso, Amor e Carinho", Leo e Loca (Liliann), lembrando Guilherme Arantes em "Meu Mundo e Nada Mais" (afinal, Leo é também músico e dos bons, que tem, entre seus instrumentos, uma viola especial feita pelo nosso "Beethoven do Sertão", o fantástico Zé Côco do Riachão!), colocam de forma ampla e pertinente, o passo a passo da "Doença Corpos de Lewy", na profunda reflexão dos dois, com Leo finalizando o longo depoimento de forma infinitamente positiva, otimista: "Que meu pai tenha forças para sorrir ao me ver, feliz por encontrar alento, segurança, carinho e amor de que tanto necessita para seguir em frente na sua caminhada..." Com a ajuda de Deus, que é Pai, que é Mais, e de Nossa Senhora, nossa Mãe Maior ("Te coroamos, ó Mãe, nossa Rainha..."), bem como de todos vocês, ele terá, sim, Leo, toda força do mundo, para prosseguir e sorrir o maior tempo possível ao lado dos seus e de todos nós que o amamos muito também!...

O filho e cronista Gustavo conclui assim também belo depoimento sobre o pai: segundo ele, (...) mais gentil, mais educado, mais discreto, mais generoso, mais caridoso, mais amoroso, mais sincero, mais santo." Afinal, quem pode ouvir de um ex detento uma frase assim: "Homem igual ao Dr. Pedro não existe. Passei quatro anos na cadeia e ele me ouvia sempre, aos sábados. Ele me fez suportar a prisão!" : "Pai... não sei se lerá e compreenderá estas linhas. Pode ser que sim. Pode ser que não. Mas tenha a certeza do que vou lhe dizer: Sou um privilegiado por ter convivido com um homem de coração tão generoso. Felizardo por ser filho de Pedro e Glorinha "Guerreira" Mameluque! (...) Peço a Deus que me conceda pelo menos dez por cento das suas virtudes.(...)"

Tantos depoimentos mais, tão especiais: do Dr. Ernesto José Hoffmann, médico de família; Dra. Maria Ângela Pinheiro, médica geriatra; Larissa Pereira de Souza, fisioterapeuta; da filha Patrícia (Paty), sempre correndo para socorrê-lo também, junto ao esposo Gilmar, "falar de alguém que amo muito, que me acompanhou e me ensinou a ter dignidade, fé, humildade e, acima de tudo, amor ao próximo, e a ser feliz com simplicidade! É assim que vejo o meu pai: homem culto, inteligente, educado." Assim o vemos todos, Paty! E o veremos, sempre, com fé em Deus, por muito tempo mais!
                                   

Saúde e paz ao senhor, Dr. Pedro, é tudo que desejo! Saúde e paz, meu querido, com toda a nossa profunda admiração, amizade, consideração e Amor, Dr. Pedro Mameluque Mota, muito e imorredouro Amor!...

| TRANSLATE THIS PAGE |