segunda-feira, 26 de setembro de 2016

- REFLEXÃO -

"A esperança é algo que traz sol às sombras das nossas vidas. É nosso vínculo com um amanhã melhor "
            - Yitta Halberstam -

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

- Crônicas, sobre Zé, para Zé!... -

HOMENAGENS AO ESCRITOR JOSÉ LUIZ RODRIGUES E SEUS BELOS POEMAS, CRÔNICAS REGIONAIS E ANEDOTAS QUE OUVIA POR Aí...

                                   HINO A MIRABELA

Música e Letra: José Luiz Rodrigues

Oh! Mirabela! De belas vistas
Os seus distritos junto à Santa Cruz
Formam pedaços, que lá no céu,
Recebem as bênçãos do bom Jesus

Seus coqueirais, suas vertentes,
O Água Limpa, Sussuapara e Riachão,
Correm suas águas, nas cachoeiras,
Caindo dentro do meu coração!

Oh! Mirabela! Terra criança!
Ainda é moça sua lembrança!

Seus campos fartos, seus ricos brejos,
Torrão lavrado por vivas mãos,
A chuva e o sol vêm alternados
Fertilizar o nosso amado chão!

A lua acende suas noites lindas,
Poetas cantam sua beleza,
E as estrelas brincam de roda,
Iluminando a natureza!

Oh! Mirabela! Terra criança!
Ainda é moça sua lembrança!

Os foliões e as pastorinhas,
Na procissão entoam belos hinos,
As cavalhadas do seu folclore,
Enaltecendo a festa pro Divino!

Nas densas matas, em seus pomares,
Gorjeiam anus, periquitos e zabelês,
Nas suas ruas e nas estradas,
Eu vou seguindo, cantando prá você!

Oh! Mirabela! Terra criança!
Ainda é moça sua lembrança!


OBS.: Hino Oficial da cidade de Mirabela - MG - Concurso promovido pela Câmara Municipal de Mirabela, incluído na Lei Orgânica do Município, promulgada em 03/03/1990.


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Só Chorando, Zé!...

* Raquel Mendonça


José Luiz Rodrigues, o amigo-irmão Zé Luiz, no seu último livro, "Só rindo!", com causos e anedotas por ele selecionados e contados, com a graça insuperável de sempre, capa e editoração de Cléber Caldeira, seu Designer Gráfico de confiança e máxima competência, dedicado a "todas as pessoas que sofrem... pela falta do riso", que ele tão bem sabia provocar em nós, pois sempre tinha um causo novo na ponta da língua, uma piada pronta para contar, uma anedota que fazia rir, divertir, gargalhar e pela próxima esperar!...

Mas na segunda, 19, a notícia não teve a menor graça! Haroldinho Soares me liga para dizer de sua passagem repentina para o além. Confesso que a ficha demorou a cair, pois nada de triste combinava com você, por mais problemas que tivesse ou passasse, e todos têm a sua cota diária!

Cronista, poeta, escritor extraordinários, contador de causos de primeira qualidade e grandeza, sempre muito engraçados; editor da página "Cultura & Notícias" do JN;; criador do belo "Prêmio Parnaso de Cultura", que sempre apoiávamos e, por último, candidato a Vereador por Mirabela, sua cidade natal, onde pretendia criar uma grande Casa de Cultura, seu sonho maior!

Autor de "O Verme Estrangeiro" (romance); "Mocambo - o negócio é meu" (romance); Poetas do Brasil 2000 (participação); Coletânea Poética (participação) da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco - ACLECIA, de que era membro fundador; Retrato em Preto e Branco - 10 anos do "Prêmio Parnaso de Cultura"; o belo Hino Oficial de Mirabela (Letra e Música); Entre Amigos - Crônicas, Causos e um Poema e outras participações mais... 

Suas melhores criações e de que tanto se orgulhava?! Os filhos Gabriela (Gabi) e André, que moram em Montes Claros (Janaína faleceu há alguns anos, para sua tristeza e frequente lamento), Leonardo, que mora em Belo Horizonte com a esposa Sâmia e o filho Leozinho (ele tem ainda uma filha de dez anos) e José Luiz Rodrigues Júnior, que reside em São Paulo.

A filha Gabriela, para sua felicidade, está de noivado marcado com Gabriel, "um rapaz excelente, bom, do bem", como ele dizia, o que o tranquilizava bastante, falando até que o seu casamento seria para ele uma espécie de "Missão Cumprida" na vida... Era tamanho o seu amor por eles e de modo muito especial por ela, que era sagrado, depois de um dia de Café Galo ou "Cristal" ao lado, batendo papo ou colocando a conversa em dia com os amigos e intelectuais de plantão, vendendo seus livros sobre bancos a ele cedidos, levar para Gabi um sanduíche especial, pois moravam, afinal, lá no Bairro Maracanã!

Depois do último Prêmio Parnaso, em sua 16a. edição, a pergunta que nele não se calava, anualmente: "Quem o Prêmio Parnaso vai levar dessa vez?!" Lembrava Elthomar Santoro, Luiz Carlos Novaes, o Peré, Haroldo Lívio de Oliveira, outro grande amigo-irmão... Não consegui disfarçar o riso, mas pedi, "não brinque, Zé, com isso!" Ele insistiu brincando, fazendo graça, fazendo rir e, de repente, o coração parou de bater e ele conseguiu, pela primeira vez em tantos anos de amizade e parceria cultural, nos fazer chorar!...

Só chorando, Zé! Não tem outro jeito, amigo! Que os céus, cheios de graça, luz e alegria, o tenham recebido em grande festa-surpresa e que Deus dê aos seus familiares e incontáveis amigos muita força, fé, conforto e consolo, para só se lembrarem do melhor de você e de todos os momentos, poemas e crônicas em que nos fez chorar, morrer, sim, mas de tanto rir e rir!...


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A Imprensa e a Cultura enlutadas

* Pedro Neto

Mais uma lacuna na Imprensa de Montes Claros, do Norte de Minas e, quiçá, do Estado. O setor cultural também está triste. Quem frequenta o "Quarteirão do Povo" já percebeu a  ausência  do  escritor, sonhador, ideologista, amigo e perseverante José Luiz Rodrigues, conterrâneo de Mirabela, nossa querida e eterna cidade da carne de sol e do pequi. Aos domingos, também ficará a saudade da coluna "Cultura & Notícias" do JN e das justas  homenagens do Prêmio Parnaso de Cultura, cuja última edição foi recentemente muito prestigiada no Centro  Cultural Hermes de Paula.

Era um camarada realmente dedicado ao que fazia e não tinha medo de expressar o que sentia.  Como poucos, defendia suas idéias, respeitando o próximo e, sem bajular quem quer que fosse, desde que entendesse estar certo de suas convicções em teoria e em prática.

Zé Luiz fazia o que a maioria da humanidade não consegue, ou pelo menos transmitia uma sobriedade de quem pratica um velho dito popular como poucos: ouvir mais do que falar!

A passagem de José Luiz Rodrigues, nesta segunda-feira, 19, deixou também lacuna no processo político de Mirabela. Pela primeira vez, iria disputar as eleições municipais naquela cidade. Quem sabe seria eleito Vereador e realizaria seu sonho de revolucionar o setor cultural daquele município. Não teve a chance. Mas Deus é quem confortará os amigos e familiares, neste momento em que a Imprensa, a Cultura e a sociedade de Mirabela e Montes Claros ficam enlutadas mais uma vez!...


*Jornalista e servidor público




segunda-feira, 12 de setembro de 2016

- Reflexão -

" Aquele que te guarda, não dorme. "
             SL 121:3

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

CONVITE - Academia Montes-Clarense de Letras

Clique na imagem para ampliar
É hoje!

Espetáculo " Feitiço do Tempo" - Teatro Musical


Às 20:30 horas, na sala Cândido Canela, no Centro Cultural Hermes de Paula.


                                              COMPAREÇA, PRESTIGIE!!!


*Entrada Franca

sábado, 3 de setembro de 2016

- Reflexão -

“Não podemos mais nos dar ao luxo de descartar todos que ‘não satisfazem os requisitos’ ou ‘não correspondem às expectativas’, validando apenas aqueles que compartilham nossos pontos de vista, crenças e prioridades, enquanto guerreamos contra o resto. Esta divisão está alimentando o ódio e conflitos intermináveis neste mundo, e não podemos continuar por este caminho sem consequências desesperadoras que nenhum de nós deseja ver!”
                 - Sarah Varcas. País de Gales, Reino Unido -

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS SOBRE TOMBAMENTO
(Aos bons que amam Montes Claros, aos que entendem, aos apenas desinformados, e aos críticos maldosos e mentirosos de plantão!)

* Raquel Mendonça

Há pessoas que confundem tombamento com "tomamento", como, se ao tombar um bem imóvel, por exemplo, a Prefeitura dele tomasse posse e passasse a ter a obrigação de conservá-lo e não seus legítimos donos ou herdeiros! A medida de proteção impede descaracterizações ou demolição, mas o prédio pode ser alugado ou comercializado a qualquer tempo ou momento!
Seria maravilhoso se a Prefeitura de Montes Claros pudesse adquirir, negociar mais bens imóveis antigos, através de permuta com lotes ou prédios públicos, como é o caso - em estudo - da "Casa de Dona América", situada no coração histórico da cidade, que é a Rua Dona Eva, onde ficava situada a primeira casa de Montes Claros, ou seja, a "Fazenda dos Montes Claros", e o lote localizado ao lado do Sobrado dos Versiani-Maurício, na Rua Cel. Celestino, para a construção do primeiro Grande Teatro da cidade, mas isso nem sempre é possível.

Entre os poucos prédios históricos tombados pelo município, através do Decreto Lei n° 1761, de 28 de setembro de 1999, o Sobrado da Escola Normal/FAFIL, o popular “Prédio da FAFIL”, situado na Rua Cel. Celestino, n° 75 (Corredor Cultural Padre Dudu - Centro Histórico de Montes Claros), construído por José Antônio Versiani (Cel. Juca Versiani), em 1886, para sua residência e comércio, edificação assobradada, de grandes dimensões e notável mérito arquitetônico, que se destaca no Núcleo Histórico de Montes Claros (junto ao Sobrado dos Versiani-Maurício, Solar dos Sertões - antigo Solar dos Oliveira -, Palácio Episcopal, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José, Sobrado dos Canela, Sobrado dos Teles de Menezes, em estado precário de conservação...), e que pertence à Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES, foi há alguns anos inteiramente restaurado - encontrava-se em péssimo estado de conservação - e, durante a solenidade de sua reinauguração, o então Reitor, Professor Paulo César Gonçalves de Almeida, nos agradeceu o empenho, pedidos e argumentos todos - quase diários, incansáveis! - nesse sentido, junto à instituição, quando muitos queriam aquela "casa velha, em ruína, no chão" - é bom lembrar também que obras de restauração ou restauro custam uma verdadeira fortuna e só existem empresas especializadas em restauração em Belo Horizonte, como a Construtora Restaurare Ltda., do engenheiro Renato Pinheiro Cury, responsável pela primorosa restauração do Sobrado dos Versiani-Maurício e da FAFIL! A Unimontes pôde fazê-lo através da Lei Rouanet, com captação de recursos junto à Oi Telemar e CEMIG e, na grandiosa edificação, foi implantado o Museu Regional do Norte de Minas/MRNM, assim como foi restaurado pela Prefeitura de Montes Claros o grande prédio histórico localizado ao lado, na Rua Cel. Celestino, n° 99, o mais antigo em pé da cidade, edificado em 1812 pelo Capitão José Pedro Versiani, tendo sido sua última proprietária a família Maurício, ou seja, o Sobrado dos Versiani-Maurício, popularmente conhecido como “Casarão dos Maurício”, depois de desapropriado, pois, de tão deteriorado, apresentava risco de desabamento, com as obras de restauração tendo sido possíveis através de recursos do Fundo Estadual de Cultura - FEC, com contrapartida da Prefeitura, prédio este que sedia, desde 2011, a Secretaria Municipal de Cultura.
      
Mais um sobrado tombado pelo município, o Sobrado de Dulce Sarmento (antiga Pensão de Dona Geny Mendes Ribeiro), situado na Rua Justino Câmara, n° 114, esquina com Cel. Celestino, foi negociado pela Prefeitura, por meio de permuta com lotes públicos, para restauração e transformação no Museu da Imagem e do Som pró Memória de Montes Claros, já criado através da Lei n° 1.575 de 04/11/1985, e nunca implantado, a partir de ideia do grande e saudoso historiador Hermes Augusto de Paula! Dentre os acervos que deverão compor o Museu, destaque para o de Valdomiro de Souza (Miro Vídeo), o maior acervo de registros fotográficos e de vídeo da cidade, por ele doado à municipalidade. Hoje, por sinal, recebemos as chaves do Sobrado, já completamente desocupado, das mãos de um de seus proprietários e morador, com a família,, Romerson Hermanny de Castro Ribeiro.

O tombamento não cerceia ou limita o direito de propriedade nem nele interfere e os bens imóveis tombados pelo município são isentos do pagamento de IPTU, enquanto os seus proprietários zelarem pela sua conservação. No Art. 10 da Seção I (Da Proteção do Patrimônio Cultural) da Lei n° 2.705, de 22 de abril de 1999, lê-se: "Os bens compreendidos na proteção da presente Lei ficam isentos do Imposto Predial e Territorial Urbano, enquanto o proprietário zelar por sua conservação." Parágrafo Único: O benefício da isenção será renovado anualmente, a requerimento do interessado e mediante parecer favorável do COMPAC. Art. 11: "A alienação onerosa de bens tombados, na forma desta Lei, fica sujeita ao direito de preferência, a ser exercido pela Prefeitura Municipal de Montes Claros, na conformidade das disposições específicas do Decreto-Lei Federal n° 25, de 30 de novembro de 1937." E ações de fiscalização técnica sobre os bens imóveis e móveis tombados, além de orientação para quaisquer obras de intervenção emergencial ou restauro, são exercidas pelo setor e pelo COMPAC, com a valiosa ajuda de competentes profissionais da Secretaria de Obras, sempre que necessário, e não são poucas as vezes!...

O próximo passo da Prefeitura, com apoio da 7a. PJMOC, depois de ver a antiga "Cachaçaria de Durães", situada na Rua Justino Câmara, n°s. 67/69 , em obras efetivas de restauração, através de seu proprietário, Dr. Wagner Gonçalves Lafetá Rabelo, conforme projeto assinado pelo Arquiteto e Urbanista Sidcley Barbosa e pela Designer Gráfica Cecília Lenoir, aprovado pelo Setor e pelo COMPAC, é viabilizar o escoramento ou reforço estrutural amplo do Sobrado dos Teles de Menezes, que se encontra em péssimo estado de conservação, apresentando risco de desabamento iminente, comprovado por profissionais da arquitetura e engenharia civil especializados em patrimônio cultural, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros Militar, para posterior aquisição, localizado na Rua Justino Câmara, 93/Entorno Histórico Nobre da cidade, mas a cidade não conta com empresas que executem serviços de escora, o que vem dificultando a realização das obras mais que emergenciais!...

Que toda a população montes-clarense se interesse e se una em torno da valorização da memória, da história da cidade, que a todos pertencem! Ou seja, todos, pessoas, empresas, entidades, instituições, etc, podem colaborar de alguma forma, de alguma maneira, com a importante questão, quem sabe adquirindo e restaurando mais uma casa de feições tradicionais, um casarão ou um sobrado, de modo especial localizado na Rua Justino Câmara, já com muitas construções modernas interferindo prejudicialmente na ambiência tradicional; Rua Padre Teixeira, Altino de Freitas, etc, pois muitos de seus proprietários, que não têm condições financeiras de fazê-lo ou permitiram a quase completa deterioração do bem imóvel, o que poderia ter sido evitado com pequenas e frequentes obras de intervenção emergencial, estão dispostos a comercializá-los!

Tantos com tanto, sobrando, e que dizem amar o patrimônio histórico da cidade, preocupar-se profundamente com a sua memória, parte imprescindível da identidade cultural do município, chorando, sonhando - em prosa e até mesmo versos de boa qualidade - com a completa restauração de suas antigas casas, tradicionais casarões e sobrados, por que não pensar nessa bela possibilidade?! Exemplo disso é o magnífico "Sobrado dos Canela", tombado, pintado equivocadamente de rosa, situado na Rua Dr. Veloso, n° 06 (Praça Dr. Chaves), edificação excepcional, cujas linhas de fachada enquadram-se na proposta do neocolonial, que se encontra à venda há bom tempo e, segundo soubemos, o valor para tal teria sido reduzido a R$1.000.000,00 (hum milhão de reais) pelos seus herdeiros.

 Falar é fácil - cobrar, reclamar, criticar -, no mais das vezes sem a devida informação. 

Fazer alguma coisa concreta em favor da história, da memória da cidade, que é de todos, é que são outros quinhentos (mil ou alguns milhões)... Falando nisso, recebemos ontem no setor, surpreendentemente, depois de definido este artigo, a visita ilustre do extraordinário, mais que perfeito, primoroso Restaurador Fábio Ferrer, montes-clarense que reside em Paracatu, entrevistado e homenageado por Jô Soares, que nos contou a seguinte história: em Unaí havia muitas casas históricas em verdadeiro estado de ruína! O que ele fez? Sugeriu a um grande empresário adquirir, restaurar as casas e doá-las à municipalidade! E não é que o maravilhoso milagre aconteceu?! 

Que Nossa Senhora da Conceição e São José, santos padroeiros do município, abençoem a cidade com tão generosos gestos de amor a Montes Claros, "à sua história, à sua gente e aos seus costumes", como diria Hermes de Paula... 

Assim seja!!!



Crônica -

- “Imorríveis” - Festas de Agosto encantam e emocionam -
         
 *George Nande


O Rio de Janeiro tem o Carnaval. O Amazonas, o diversificado Parintins. Já Montes Claros tem as Festas de Agosto, carregadas de religiosidade, fervor, devoção, sonoridade, gingado, cultura, cores, valores e amores. Trata-se de uma profusão de emoções, que sempre invade a fronteira dos tempos, arrastando multidões, tradições, costumes e gerações, unindo ricos e pobres, a simplicidade e a riqueza, na Montes Claros, terra de grande beleza. O evento foi aberto na última terça-feira (16/08) e ganhou as ruas da cidade no dia seguinte, arrancando arrepios e aplausos por onde os cortejos coloridos e sonoros passavam, com batidas fortes e passos firmes, cada brincante defendendo com raça seus grupos e a folclórica tradição.

Trata-se de uma manifestação “imorrivel", que não quer morrer, que quer prevalecer, avançando pelo tempo, fazendo história e deixando para trás rastros de saudades, legados e personagens imortalizados. Durante quase uma semana, os grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos encantaram a população e turistas, que a tudo registravam, com máquinas fotográficas, celulares e filmadoras, muitos fazendo selfies e se inserindo no universo mágico do folclore montes-clarense, que a cada agosto chega promovendo inclusão social, cultura e arte. Talvez o sábado seja o dia mais intenso da programação, quando grande número de pessoas se concentra na área central da cidade, para compras, lazer e reencontros.

E o último sábado não foi diferente. O centro do antigo Arraial das Formigas se transformou num verdadeiro formigueiro, num frenético vai e vem pelas artérias viárias, tendo como destinos o Mercado Municipal, o Shopping Popular, a Praça da Matriz - berço do nascimento da cidade -, o Quarteirão do Povo - passarela de todos -, com grande concentração nas Praças Dr. Carlos e Coronel Ribeiro - das paradas de ônibus. Entretanto, um grande número de pessoas também se aglomerou na Praça Dr. João Alves - do Automóvel Clube, de onde os grupos de  Catopês, Marujos e Caboclinhos sairiam com destino à Igrejinha de Nossa Senhora do Rosário, na Praça Portugal - da apoteose das Festas de Agosto .

A espera foi longa, com o suor escorrendo faces de quem aguardava com ansiedade a passagem do cortejo do Império do Divino Espirito Santo. Marcado para sair às 10 horas, saiu após o meio-dia, arrastando uma multidão e arrancando aplausos por onde passava, trazendo no seu encalço a sempre emocionante Banda de Música da 11a. Região da Polícia Militar (RPM). Antes, enquanto os grupos folclóricos se arrumavam na Praça Dr. João Alves, resenhas esportivas e politicas ocorriam no Quarteirão do Povo, especialmente no Café Galo, conhecido como Senado de Montes Claros, onde tudo é debatido, votado, aprovado e sancionado, claro, entre um cafezinho e outro.

Quem chegou cedo por lá foi o deputado Gil Pereira (PP), presidente da Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) .Também apareceram muitos outros candidatos a vereador e asseclas, entregando santinhos e correndo contra o tempo, afinal, a campanha deste ano terá apenas o “primeiro tempo”, ou seja, 45 dias para tentar conquistar votos; e cinco dias já tinham ido embora. Mais tarde um pouco, apareceu o candidato a prefeito Humberto Souto. Posteriormente, ele se encontraria com o candidato à reeleição Ruy Muniz, acompanhado pela esposa e deputada federal Raquel Muniz, durante o cortejo folclórico.

Política à parte, o clima era amistoso e voltado para os protagonistas das Festas de Agosto, que saíram da Praça Dr. João Alves e desceram pelas ruas Dom João Pimenta e Camilo Prates até chegarem à Rua Governador Valadares do Quarteirão do Povo, um dos locais prediletos do público. Vencendo o calor e com disposição, os grupos faziam evoluções, entoando canções populares e fazendo a plateia dançar.

Difícil não se emocionar e não se arrepiar. De muitos olhos verteram lágrimas de contentamento, satisfação e orgulho, afinal, as Festas de Agosto são uma das maiores riquezas de Montes claros, podendo, sim, ser comparadas com o Carnaval do Rio e o Festival de Parintins do Amazonas. Claro, guardadas as devidas proporções. E lá estavam, dando alma e vida às festividades, muitas crianças, ensaiando os primeiros passos e ajudando a perpetuar a tradição, garantindo assim o ciclo da geração em geração.

Já se aproximava das 14 horas quando os fervorosos brincantes, suados, chegaram à praça da apoteose do folclore, onde uma missa em homenagem ao Divino Espírito Santo se realizaria na Igrejinha do Rosário, reformada e revitalizada para a 177a. edição das Festas de Agosto, que trouxeram em seu anexo o 38º Festival Folclórico. Como a capela é pequena, grande parte da população se concentrou na Avenida Coronel Prates, onde um pouco mais tarde aconteceria a dispersão, afinal, a programação festiva e religiosa teria continuidade à noite e no domingo, com o emocionante Encontro dos Ternos de Congado.

E assim foram os dias de devoção a Nossa Senhora do Rosário, a São Benedito e ao Divino Espírito Santo, com a fé, a cultura, a arte, as cores, os valores e as riquezas aflorando com intensidade e já convidando a todos para a 178a. edição das Festas de Agosto. Até o ano que vem!...


* Jornalista e cronista

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