quarta-feira, 31 de maio de 2017

- Concerto de Violões -



Noite de Caldos e Concerto de Violões
Dia 02 de Junho, Sexta-feira
Às 20hs
Rua Prof. Maria Machado, 297 - Santa Rita II

Prestigiem!!!

terça-feira, 30 de maio de 2017

- Minuto de Poesia -

Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

- Mario Quintana (Quintana de Bolso.) -

domingo, 28 de maio de 2017

- Reflexão -

"Quando milhares de pessoas trocam a bandeira do seu país pela bandeira de um partido, essa nação corre perigo."




E que Deus tenha misericórdia deste tão sofrido país!*

sexta-feira, 26 de maio de 2017

| SÃO MIGUEL ARCANJO |


Glorioso São Miguel Arcanjo,
poderoso vencedor das batalhas espirituais,
vinde em auxílio das minhas necessidades
espirituais e temporais.

Afugentai de minha presença todo mal
e todo ataque e ciladas do inimigo.
Com sua poderosa espada de luz,
derrotai todas as forças malignas
e iluminai meus caminhos
com a luz de tua proteção.

Arcanjo Miguel,
do mal: libertai-me;
do inimigo: livrai-me;
das tempestades: socorrei-me;
dos perigos: protegei-me;
das perseguições: salvai-me!

Glorioso São Miguel Arcanjo,
pelo poder celeste a vós conferido,
sê para mim o guerreiro valente
e conduzi-me nos caminhos da paz.

Amém!


- Agradecimento -

Por  Eduardo Souto Chaves*

Olá, Seresteiros de minha terra!

Desculpem a demora em me manifestar... (Sobre o Encontro de Serestas).

Fato é, que ainda estou extasiado com o sucesso do evento, desde os momentos preparatórios (reuniões, ensaios, ajustes, divulgação – nada disso foi cansativo, foi prazeroso); da memorável apresentação de cada grupo (vocês brilharam intensamente); da calorosa, paciente e motivadora receptividade do público e, a cada dia a evidente positiva repercussão.

Aliás, vivenciei nesses últimos dias uma experiência maravilhosa, muito condizente com o que me faz feliz, que me traz sentido ao cotidiano da vida:

Estar envolvido em algo que me faça sentir útil, que me desperte sentimento de pertença, de fazer novas amizades – e que belas e preciosas amizades, de estar próximo a pessoas que me proporcionam agregar conhecimentos, partilhar sentimentos, ouvir, falar, entender e ser entendido, engendrar esforços em causa comum.

Se, antes já tinha a plena convicção de que alcançaríamos nossos objetivos, hoje tenho a consciência tranquila de tarefa cumprida, do dever cumprido, da etapa vencida, com júbilo e com orgulho.

Repetidamente disse que, por índole, confio em Deus, na força do Espirito Santo e por Ele nas pessoas.

Mais uma vez, em minha vida, valeu a pena... esperar, confiar, acreditar...

ELE sim, esteve no comando e nos fez instrumentos para levar ao povo desta cidade momentos de paz e alegria, de harmonia, de confiança em dias melhores...

Muito, muito orgulho de estar ao lado de vocês ...

Nossa missão em resgatar e perpetuar o amor, o respeito e romantismo de outrora através da poesia e o lirismo (exaltação) das serestas está apenas começando.

“Esperamos nos ver em breve, em outras noites de cantar e poesia".

quarta-feira, 24 de maio de 2017

- Reflexão -

"A oração é poderosa, a oração vence o mal, a oração traz a paz."
- Papa Francisco -

segunda-feira, 22 de maio de 2017

- BODAS DE ESMERALDA -

Wagner e Marinilza Gomes  - 08/01/2017 -

por Wagner Gomes*


 Parece que foi ontem...



Marinilza e Wagner Gomes

Ao comemorarmos 40 anos de casados, enxergamos à nossa volta um mundo conturbado, no qual muitos casais se encontram com a convicção abalada e sem perceberem como encontrar uma trilha menos acidentada para o futuro. Eles, em suas caminhadas, não conseguem decifrar o amor sem os seus equívocos e nem conseguem deixar o passado onde ele tem que estar. Teimam em fazê-lo presente, não se dando conta de encará-lo como um aprendizado que alimenta experiências, sem, no entanto, permitir que dele nos tornemos reféns. É preciso ultrapassar, sem cerimônia, esse portão da cor da ferrugem, deixando o vento limpar o ar carregado de mágoas mal construídas. Quem vence esse estágio adquire a crença inabalável em um mundo de opostos, formado por pessoas que se amam e que, por isso mesmo, conseguem distinguir a tênue fronteira entre a inflexibilidade e a superação de obstáculos. É aí que toma corpo o amor resiliente, fazendo a história de uma vida comum tornar-se grandiosa pelo clima de magia que evoca. Além de encontrar a pessoa certa, temos que lutar para que o amor dê certo. Incorporar esse estilo de vida, talvez, seja a grande libertação das amarras que nos tornam infelizes, amargos e impacientes - menos interessantes, enfim. Voar não é, somente, para os pássaros. É para todos nós que acreditamos que o casamento não seja uma prisão. Se pudesse dar um nome a esse estágio do matrimônio, eu o chamaria de maturidade afetiva. É com essa percepção que, hoje – dia 08.01.2017, ao atingir o marco de 40 anos de casado com Marinilza, pretendemos, com uma Missa de Ação de Graças, celebrar o nosso amor que, assim, vai se consolidando com o passar dos tempos. Em nosso cotidiano, abominamos a ideia de que as redes sociais possam nos afastar da vida real, por promoverem, apenas, a ilusão de viver. Temos a convicção de que as curtidas em nossas publicações não substituem a rede afetiva que construímos com o contato presencial, físico e sentimental entre os nossos entes queridos. A nossa feliz caminhada é muito real e intensa, na medida em que vem sendo vivida. Pretendemos nos tornar dois parceiros por toda a vida, e não formarmos um casal para esbanjar felicidade, apenas, no facebook ou em quaisquer das outras redes sociais. Mas tudo isso não impede dividirmos, por aqui, essa conquista com nossos familiares e amigos, relembrando o caminho que percorremos até os dias atuais, através do link abaixo. Buscamos, através dele resgatar nossa trilha fotográfica, mantendo acesa essa chama capaz de eternizar e congelar o tempo do amor, em suas múltiplas paisagens interiores. Assim, o nosso espírito de amantes se uniu aos contornos artísticos da linguagem fotográfica para documentar o clima que, até hoje, nos envolve, com o instigante desejo de que o sonho não vai acabar. Desejamos que Deus nos conduza rumo ao futuro, sem nos descuidarmos da grandeza que é o "presente", não por acaso, a maior dádiva da vida.


"A maturidade nos permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade e querer com mais doçura". (Lya Luft)

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A Arte e Fatos deseja ao querido casal amor, muito amor e que Deus os abençoe sempre!*

Crônica

VERDAMARELO

Aristônio Canela*

O fado mal tocado mordiscava as cordas do bandolim, em tropeços, na taberna “OLHOS BREJEIROS”, no beco dos “BESOUROS” de uma Lisboa enfumaçada e misteriosa, acolchoada em fuxicos sobre as novas.

Dom Manuel faiscava olhos mirando uma Calicute repleta de riquezas, demonstrando fragilidades, expondo-se levianamente à sanha dos estômagos portugueses. Tendo como certas as vias lucrativas, o Rei recorreu aos Bancos Florentinos, num financiamento polpudo, apetrechando-se com treze caravelas, dez naus e armas suficientes para o sucesso da empreitada considerada de importância fundamental às finanças da Coroa.

Os marinheiros eram recrutados de uma forma bem própria, sem propor nenhuma despesa para o contratante e, dessa maneira, os presídios iam-se esvaziando, num fluxo intermitente de escória humana.  Somente os oficiais guardavam uma tênue vivência de convívio social, o que não dava ao fidalgo Pedro Álvares Cabral, comandante da Esquadra, nenhuma tranquilidade.

Seu secretário particular, Capitão Leonel Arizôto de Beirantes, com olhos acinzentados e frios, possuía uma cabeça pensante, calculadora de detalhes, todos eles sem nenhum escrúpulo. Tinha uma dívida eterna e, somente por ela, abrigava-se em uma fidelidade contestada, mas cumprida ao Fidalgo.Encarregado do recrutamento, rejeitou a presença de Crisálido Manjeirão de Jesus, seu desafeto de anos, por ser considerado indivíduo deslimitado nas loucuras e afeito a qualquer tipo de atitude para seu próprio proveito, além de ser acusado de envolvimento com magia negra.

O gajo tinha atentado contra a vida do filho do Capitão Arizôto, num sequestro com requinte de maldade, para arrancar-lhe os olhos azuis por encomenda de Ozára Macumbo, o filho do mal, feiticeiro mais famoso por suas atrocidades, nas línguas e temores lisboetas.

Não fosse a intervenção decisiva do Comandante Cabral, Arizôto, flor também nada cheirosa, não teria conseguido salvar o primogênito de garras tão poderosas, mas nada foi provado contra Crisálido Manjeirão e, quando se fez alardeada a aventura marítima, propôs-se a ela, sendo repelido com severidade, ceifando-lhe os anseios de riqueza. Indignado, Crisálido procurou Ozára e urdiram o plano mais macabro da história.

O Feiticeiro inicia comunicações frequentes com seus aliados do além, através de regalosos banquetes pantagruélicos, onde, após satisfazerem a gula com entranhas vivas de animais, deixa-se, num ápice, banhar-se em sangue de jovem virgem negra, segundo ele princesa legítima da etnia Fula.
Como se não bastasse tanta estupidez, na sétima e última noite, entrega-se a um contato sexual, abrindo-se em corola para a exploração de um falo em brasa, expelidor do sêmen da malignidade, engravidando-se para, no solstício próximo, parir um ser híbrido chamado “Mensageiro Trevoso”.

A criatura dotada de inteligência superior tornou-se, de repente, figura de destaque na esquadra oficial, aboletando-se na nau capitânia, levando consigo uma pequena caixa de marfim contento espíritos especializados em todo tipo possível e imaginário do mais puro mal.

A seleção tomou uma proporção tão destruidora que o próprio Ozára tremeu e, num último suspiro de humanidade, deixou cair apenas um pingo de um líquido verde e viscoso alentador de sonhos e futuros.

Por influência das trevas, ao chegarem ao largo das ilhas Canárias, a pasmaceira tomou conta dos navios, numa calmaria desavisada e descompreendida, proporcionando descabida derivação e, quando gaivotas sobrevoaram o céu da Gávea, o híbrido gritou: “TERRA À VISTA”, na exuberância do Monte Pascoal, em 22 de abril de 1500.

Nem bem pisaram o solo abençoado pelas angelitudes indígenas, o enviado abriu a caixa e libertou os leais representantes das desgraças e mazelas. Vendo derreterem-se numa gosma mau cheirosa, em átimo de revolta, conseguiu fechá-la, deixando por lá aquele verdezinho irrequieto para, depois, transformar-se numa fumaça negra, dissipada na natureza exuberante.

Não demorou muito, a insanidade tomou conta dos habitantes, prevalecendo o reinado da mais completa desavença. Então, caciques e pajés perderam seus ideais, vendendo-se uns aos outros; olvidando conceitos religiosos, padres e bispos envolveram-se em negociatas, sob os auspícios de Duques, Marqueses, Condes, Viscondes, Barões e Coronéis, numa fogueira de dar inveja aos foles dos infernos. Não demorou muito o aparecimento de novos personagens, trazendo com eles o vírus da corrupção revitalizado, doando ilusões a uma sociedade fragilizada por tanta dor. contaminando-a de maneira contumaz e insidiosa.

Assim, no raiar de tempos novos, os Fernandos, Emílios, Marcelos, Aécios, Dulcídios, Sarneis, Renans, Michéis, Dilmas, Lulas, todos aquartelados nas fortalezas das Odebrecht e outras tantas, consumiram, execraram, massacraram, exauriram terra e povo e, TODOS ELES, sem exceção, sacudiram violentamente a pequena caixa de marfim, tentando expulsar o PINGO DE ESPERANÇA, convicto e tenazmente agarrado aos valores pétreos de um deus brasileiro, cantando com sua voz infantil, acalentadora e desafiante, a linda marchinha de carnaval, tão nossa, tão popular, tão brasileira, cheia de confetes e serpentinas, emoldurada de ingênua alegria, pelos campos, ruas e alcovas: “DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA!...”


Membro da Academia Montes-clarense de Letras/AML*

Crônica

O Desaforo do Privilégio

Wagner Gomes*

“Nada é tão irresistível quanto a força de uma ideia cujo tempo chegou” – Victor Hugo

Quem não se lembra de uma sequência gigantesca de escândalos que se evaporou na cortina de fumaça que se ergueu ao seu redor, visando a encobrir e a proteger os corruptos profissionais? Anões do Orçamento, Marka Fonte-Cindam, Escândalo do Sivam e da Pasta Rosa, Propinoduto, Escândalo do Banestado, Malufadas, Escândalo dos Precatórios, Castelo de Areia, Dossiê Cayman, Escândalo da Quebra do Sigilo do Painel do Senado, Escândalo dos Vampiros, Caso Celso Daniel, Dólares na Cueca, Escândalo dos Fundos de Pensão e mais um monte deles que, ao serem acobertados pela impunidade, geram na população, ainda hoje, um misto de indignação e revolta. A classe política se sente acuada com a propositura popular representada pelo projeto de lei denominado “Dez medidas contra a corrupção”, adaptando tratados e leis internacionais para o sistema brasileiro. Como o Brasil de hoje tem pressa, enquanto dormita nos corredores do Legislativo esse projeto de lei revolucionário, a Operação Métis cuidou de reacender o debate sobre o foro privilegiado, provocando um entendimento do insuspeito ex-presidente do STF, Carlos Ayres Britto, de que é chegada a hora de enfrentarmos, com franqueza, essa questão. Como forma de revanchismo, o Senador Renan Calheiros, que vê abuso de autoridade em tudo que o ameaça, coloca em pauta cercear, via delimitações, as ações da PF e dos procuradores, restringindo o campo de atuação de ambos. O abuso de autoridade é tão nocivo quanto o atual conjunto de normas que, praticamente, tornam inimputáveis os cabeças coroadas da nação e, por isso mesmo, não se pode deixar de debatê-lo, desde que se excluam dessa discussão os interesses escusos que levaram o Presidente do Senado a brandir essa bandeira, como forma de intimidação. Nunca se clamou tanto pelo espírito de justiça, consubstanciado no artigo 5º. de nossa Constituição Federal, que nos garante: “todos são iguais perante a lei”. Tudo bem que o foro especial por prerrogativa de função, também conhecido como foro privilegiado, seja um dos modos de estabelecer-se a competência penal. Mas não com a abrangência com que esse instituto é praticado no Brasil. Há que se reduzir o rol de beneficiários do foro privilegiado (hoje uma panaceia que não mais se limita à liberdade de opinião, no exercício da função), restringindo-o, quem sabe, tão-somente aos chefes dos Poderes. Com tantos exemplos ruins, é triste constatarmos que o Brasil é a quarta nação mais corrupta do mundo, no ranking do Fórum Econômico Mundial. O polêmico Ministro Gilmar Mendes, em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, defende “que o foro especial não é um privilégio, porque ele piora a situação do réu: pessoas não sujeitas ao instituto podem ter três ou até quatro revisões da primeira decisão. Aqueles julgados pelo STF não podem recorrer a ninguém. Além disso, o debate é maniqueísta e hipócrita, porque não percebe que o problema não é o instituto em si, mas a conjuntura do Sistema Judicial Brasileiro. No fim, perigo maior do que a procrastinação dos processos seria a pressão e todo um jogo da pequena política nas menores comarcas brasileiras”. Ele, no entanto, deixou de abordar, em seu texto, o antagonismo existente entre essa malfadada norma constitucional com o aspecto de que ela não configura direito ou garantia fundamental, pois beneficia, apenas, um “seleto” grupo de brasileiros. Chegamos a um ponto em que a própria Justiça é injusta. E, para compensar essa distorção, ela deveria ser, no mínimo, equânime. A Associação dos Magistrados Brasileiros, ao posicionar-se pelo fim do foro especial, divulgou levantamento sobre o julgamento das ações penais iniciadas, seguindo-se a regra da competência originária nos dois mais altos tribunais do Brasil, chegando a esta triste conclusão:  em 18 anos e meio, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu 130 processos criminais contra autoridades que têm foro privilegiado, e ninguém foi condenado (130 a 0). No Superior Tribunal de Justiça (STJ), criado em 1989, foram abertas 483 ações penais, mas somente cinco pessoas foram condenadas (483 a 5). O foro privilegiado é, comprovadamente, um acinte à democracia e perpetua a impunidade dos que nele operam, em proveito próprio. Se os parlamentares devem representar o anseio do povo que os elegeu, é bom que eles não mais se homiziem e percebam que é mais do que chegada a hora de mudança nessa regalia, que alimenta o eterno balcão de negócios de nossa política. 

Crônica

Constituinte Já

Wagner Gomes*

É triste admitir que o Brasil incorporou um modelo parlamentar de governo amparado na corrupção. A descrença nas instituições provoca o clamor das ruas e empareda os tribunais, que enxergam esses movimentos como se fossem uma antinomia ao Estado de Direito. Executivo, Legislativo e Judiciário não se entendem e, com todas as letras, perderam o respeito da Nação. A busca desesperada por uma anistia ao Caixa 2, que deveria ser encarado como crime de lesa-pátria, pode explodir o caldeirão efervescente da revolta popular. Alguns ministros falastrões do STF ignoram a compostura e a liturgia do cargo, transmitindo a sensação de que, também, são tripulantes de uma nau sem rumo, pilotada pelo executivo, mas rebocada, em sentido contrário, pelo Legislativo. O único antídoto a tudo isso seria a convocação de uma Constituinte Exclusiva e soberana, à revelia do Congresso Nacional, cujos membros não poderiam atuar nas duas frentes – ninguém discordaria que, salvo pouquíssimas exceções, não temos em nosso Congresso, hoje, parlamentares com higidez de propósitos para tal missão. Por não mais existir lideranças com vigor e patriotismo suficientes para induzir esse pacto, supõe-se que essa Constituinte poderia revelar novos nomes de brasileiros, eleitos com a finalidade precípua e determinada de elaborar uma verdadeira reforma política e, de quebra, mudar essa Constituição Cidadã fajuta. É bom lembrarmos que ela foi resultante de um estelionato eleitoral e, também, maculada por um Congresso eleito no rastro do falso sucesso do Plano Cruzado, traduzida em uma vitória avassaladora do PMDB nas eleições de 1986, seguido do PFL, partido que obteve a segunda maior bancada de deputados e senadores. Sob o manto artificial de uma pretensa corrente de pensamento, aquela Assembleia Nacional Constituinte alojou, em seu seio, uma renca de mercadores de ilusões. Hoje, as elites dirigentes de todas as esferas do poder articulam, descaradamente, no sentido de manipularem a soberania da vontade popular. Essa tal lista fechada, verdadeira lista negra, se adotada, vai configurar um dramático golpe de estado, além de estabelecer um novo tipo de voto de cabresto e ressuscitar os antigos currais eleitorais, caracterizando, no pior sentido, um engodo de proporções monumentais. Ao substituir a soberania popular pela soberania partidária, os políticos mais poderosos ganharão uma capitania hereditária estabelecida por uma reserva de mercado, com a adoção de um mecanismo capaz de garantir os seus votos e um anacrônico foro privilegiado, privilegiando uma casta corrupta. A Constituinte Exclusiva teria o condão de enfrentar esses problemas, promovendo reformas de toda ordem, com a finalidade de pavimentar um caminho que nos leve a um novo ordenamento, muito mais amplo do que aquele concentrado no viés social e político. No momento em que a lama ronda os palácios e invade o mundo dos negócios, enchendo a lata de lixo da história, percebemos que, se nada mudar, só nos restará a descrença de continuarmos à deriva, sem bandeira e sem projeto. Na Constituinte Exclusiva seriam preservadas as cláusulas pétreas de nossa atual constituição e discutidos temas diversos, como número de deputados e senadores, tempo de mandatos, reeleição, foro privilegiado, relações trabalhistas - sem a criação de castas como as dos funcionários públicos, dos políticos e dos magistrados-, reformas tributária e fiscal, responsabilidades de agentes públicos, aposentadoria igual para todos, além de infinitas outras demandas da sociedade. Chegamos a um ponto de ruptura tamanho que, ao tentarmos vislumbrar o fundo do poço, descobrimos que o poço não tem fundo. Estamos diante de um primoroso processo de metalinguagem, através do qual nossas esperanças se concentram na busca de algo digno, através daquilo que Michael Reddy denominou de “duto metafórico”, que possa nos fazer conceber uma vida melhor, para nossos netos e seus descendentes. Como justificativa para encaminhamento desse tema, recorro a Álvaro de Campos, um dos heterônimos do poeta Fernando Pessoa, parodiando a sua obra de 1917, denominada ULTIMATUM: A Lava Jato expediu um mandado de despejo aos mandarins do Brasil contemporâneo, cuja megalomania triunfante produziu um cipoal de excrementos que, espero, se transforme em estrume para adubar a democracia que pretendemos construir em nosso país.

domingo, 21 de maio de 2017

- Reflexão -

"Maria nos ensina a esperar em Deus mesmo quando tudo parece sem sentido, mesmo quando Ele parece estar escondido."
-Papa Francisco -

segunda-feira, 15 de maio de 2017

- ENCONTRO DE SERESTAS DE MONTES CLAROS -

MONTES CLAROS EM SERENATA
 NO DIA MUNICIPAL DA SERESTA

A Secretaria Municipal de Cultura de Montes Claros, em parceria com a Associação dos Seresteiros de Montes Claros e Amigos da Arte - ASAMA, promove, no próximo dia 19 de maio de 2017 (sexta-feira), sob a coordenação de Júnia Velloso Rebello, Coordenadora de Eventos da Secretaria de Cultura, o “Encontro de Serestas de Montes Claros”, marcando o Dia Municipal da Seresta, criado em lei, e abrindo as comemorações do aniversário do Centro Cultural Hermes de Paula. 

O evento será realizado na histórica Praça Dr. Chaves/da Matriz, berço das serestas montes-clarenses, a partir das 20h30, reunindo quatro grupos de serestas da cidade, em noite de muito lirismo, beleza, música e emoção!...

SOBRE O DIA MUNICIPAL DA SERESTA -

Montes Claros tem, sim, sem dúvida, tradição de serestas e serenatas. Ao instituir o dia dedicado a essa arte tão nossa, foi reverenciado o nome de João Chaves, no seu aniversário. Autor das mais belas modinhas do gênero, esse montes-clarense de talento imensurável e alma apaixonada é uma das grandes referências das serestas na cidade e além Montes Claros...

A Secretaria de Cultura evidencia, neste evento, os grandes talentos musicais das serestas montes-clarenses e faz um resgate importante das modinhas e/ou músicas cantadas em nossas ruas e praças, através dos tempos. Ao criar e formatar o evento, os promotores do “Encontro de Serestas” convidam a população de Montes Claros para festejar o DIA MUNICIPAL DA SERESTA, com a finalidade de congregar os músicos; incentivar e resgatar o gosto pela arte seresteira, onde se respiram música, amor e poesia, perpetuando tradição tão bonita e amada pelo povo, eternizando, assim, as nossas mais belas canções tradicionais!...

SOBRE AS SERESTAS EM MONTES CLAROS -

"Trabalhamos para que as modinhas voltem a fazer parte da vida de todos e seus poetas e autores sejam devida e merecidamente reconhecidos. Estaremos juntos nesta grande noite em que a nossa querida e amada Montes Claros se faz seresteira", destaca Eduardo Chaves, presidente da Associação dos Seresteiros de Montes Claros e Amigos da Arte, filho de seresteiro e família de seresteiros, pois o seu pai, Raymundo Chaves, é irmão de João Chaves.

As músicas de serestas foram feitas para serem cantadas em noites enluaradas, falando de amor ou de tristeza, mostrando a pureza de tempos que, às vezes, não voltam mais. Foram inúmeros os precursores poetas, músicos e cantores, amantes da boa música, que encheram de sons as madrugadas montes-clarenses: João Chaves, Hermenegildo Chaves, Nivaldo Maciel, Luís Procópio, Gilberto Câmara, Sinval Fróes, Sebastião Mendes ( Ducho), Celestino Soares (Telé), João Vale Maurício, Virgílio de Paula, Josefina Abreu de Paula e Raymundo Chaves.

Nesta noite, desfilarão no palco, quatro destes remanescentes grupos, demonstrando que a seresta continua firme, forte e cantada bem alto no coração do povo montes-clarense.

Grupos participantes:


- GRUPO DE SERESTAS “JOÃO CHAVES” -


O grande poeta e compositor João Chaves empresta, inicialmente, o seu nome ao mais antigo e atuante grupo de serestas de Montes Claros e região, entre os maiores de Minas Gerais. O Grupo de Serestas “João Chaves” teve sua primeira formação em 1967, quando Hermes Augusto de Paula (Hermes de Paula), médico, historiador e folclorista, encantado pela música tradicional e folclórica de Montes Claros - foi um apaixonado pela cultura popular de nossa terra! -, aceitou convite para participar de um concurso de serestas em Ouro Preto. Assim, o Dr. Hermes reuniu músicos, cantores e amantes da bela arte, para a formação inicial do grupo. Foram e venceram o concurso entre quatorze concorrentes considerados do mais alto nível e gabarito musical e, daí em diante, se tornaram, verdadeiramente, patrimônio cultural de Montes Claros, levando e elevando o nome de nossa cidade Brasil afora e até no exterior. Hoje, este grupo tem nova formação, com três nomes do passado, mas carrega o nome de grandes seresteiros montes-clarenses em sua trajetória, que serão reverenciados nesta noite.

O GRUPO  Por Hermes Augusto de Paula* 
Em "Montes Claros, sua história, sua gente, seus costumes - Vol. 3 - 1979

Depois do advento da luz elétrica, as serenatas foram rareando. Em dias de lua grande ou de visitantes nostálgicos, a gente se reunia e cantava o que se lembrava.

Em abril de 1967, recebemos um telefonema do Dr. Clementino Dotti, convidando-nos para um concurso de serestas em Ouro Preto, a se realizar na noite de 20 de abril, sob os auspícios da Hidrominas. Avisou, no entanto, que não fôssemos muito confiados, pois o número de concorrentes era grande e de alto gabarito. Aceitamos o convite, formamos um grupo e tiramos o primeiro lugar entre os 14 grupos presentes. Nosso grupo foi composto dos seguintes seresteiros: Cantores - Nivaldo Maciel, João Leopoldo França, Celestino Soares da Cruz, Clarice Maciel, Lola Chaves, Selma Ruas de Abreu, Tereza Maia Cunha e Josefina de Abreu Paula (Fina de Paula).
Instrumentos - Sinval Fróis (violão) e Sebastião Mendes/Ducho (bandolim).
Direção - Hermes de Paula.

Às 3 horas da madrugada de 21 de abril, o resultado foi anunciado. E os trinta quilos de carne de sol, transformados em churrasco, foram consumidos pelos presentes, nesses incluídos a direção da Hidrominas. o Governador Israel Pinheiro e o Senador Daniel Krieger. A carne deu fartura, mas as 30 garrafas de cachaça acabaram ligeiro.

Nesse mesmo dia, ainda de manhã, gravamos, na Rádio Guarani, nosso primeiro LP - "Uma Conversa e Cinco Modinhas". Gravamos mais 3 elepês, formando um álbum - "Eterna Lembrança". Mais tarde, gravamos um elepê com música de Dulce Sarmento.

Ainda em 67, fomos representar Minas em uma festa no Clube Solar dos Estados, em Brasília, quando fizemos uma apresentação para a família do Presidente Costa e Silva, no Palácio da Alvorada. Incluímos no repertório um "pout-pourri" de músicas mineiras e outro de músicas gaúchas. Quando terminamos "Prenda Minha", com o Presidente e familiares cantando conosco, improvisamos a seguinte quadrinha, cantada na mesma música de "Prenda Minha":

Ao Senhor Presidente Costa e Silva
Ao cantarmos no Alvorada
De Curvelo a Montes Claros, nós pedimos
Toda a estrada asfaltada...

Foi uma surpresa para o auditório e para nós, pois o Presidente gostou e acudiu nosso pedido, dando segunda prioridade a esse trecho de asfalto, pois a primeira tinha sido prometida a Uberada. Bem, a promessa foi cumprida, com o asfalto beneficiando a todos..

Duas vezes fomos representar Minas no Rio de Janeiro - a primeira foi na Feira de Previdência e a segunda no congresso da ASTA.

Cantamos na Bahia (Itapetinga); em Caldas, na Festa da Uva; Araxá, Poços de Caldas, Caxambu, Lavras, Juiz de Fora, Belo Horizonte, Governador Valadares, Viçosa, Januária, Coração de Jesus, Brasília de Minas, Francisco Sá, Jaíba, Engenheiro Navarro, Patos de Minas, Rio Casca, Bocaiúva, São Francisco, Curvelo, Sete Lagoas, Lagoa Santa. Em algumas dessas cidades, mais de uma vez. A Belo Horizonte fomos mais de vinte vezes - TV Itacolomi, Rádio Guarani, cinquentenário do Estado de Minas, Palácio das Artes, com Isaac Karabitchevsky, Teatro Francisco Nunes, etc. Uma serenata feita no cemitério, em homenagem ao nosso patrono, no 7° dia do seu falecimento, chamou a atenção da Rede Globo, que gravou um `tape`, apresentado, depois, no programa "Fantástico".

A 12 de dezembro de 1977, a convite da Companhia Internacional de Seguros, apresentamo-nos no teatro do Copacabana Palace, no lançamento do álbum "Modinhas".

Posteriormente, alguns elementos saíram; outros entraram para o Grupo de SerestaS João Chaves: Raimundo Chaves, Luiz Procópio Andrade, Adélia Miranda, Rita Maciel, Maria do Carmo Maciel, Terezinha Maciel Jardim, Míriam Fróis, Gilberto Câmara, Virgílio Abreu de Paula e Félix Richard.
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O "GRUPO DE SERESTAS JOÃO CHAVES" FEZ RENASCER O GOSTO PELAS MODINHAS E PELO FOLCLORE REGIONAL! Assim é que "arranjou" 3 pot-pourris de folclore; "Pout-pourri Minas Gerais", "Aquarela Sertaneja" e "Cadê Papai". Isso para dar mais alegria e movimentação às apresentações.

Depois de nós, o SESC, a nosso conselho, fundou um grupo de serestas, que foi vencedor em Ouro Preto no Concurso de 1969; chamou, inicialmente, "Grupo de Serestas Dulce Sarmento", depois "João Valle Maurício" e, finalmente, "Lágrimas ao Luar". Gravou dois LPs.

Há também o "Grupo de Serestas Luiz de Paula" e outro no Conservatório Lorenzo Fernandez.

Além disso, toda a nossa população ficou impregnada com nossas velhas canções românticas; até os jovens sabem as modinhas e as cantam nas festas.

O "GRUPO DE SERESTAS JOÃO CHAVES" SENTE-SE FELIZ POR TER DESPERTADO MONTES CLAROS PARA AS MODINHAS E OUTROS TIPOS DE FOLCLORE, ALÉM DE TER PROJETADO O NOME DE NOSSA CIDADE, COMO CULTIVADORA DE CANÇÕES ROMÂNTICAS, DENTRO E FORA DO ESTADO DE MINAS!...

JOÃO CHAVES -

Nascido no dia 22 de maio de 1887, filho de João Antônio Gonçalves Chaves e Dona Júlia Prates Chaves. Fez o curso primário em uma das escolas isoladas aqui existentes e cursou um ano na antiga Escola Normal. Desde cedo se salientou pela sua inteligência lúcida e pelos seus dotes artísticos. João Chaves foi o homem dos sete instrumentos. Excelente executar, sobressaindo-se na flauta, piston e violão; estudou música com o Professor Ezequias Serafim Teixeira Guimarães. Como poeta, tem uma obra vastíssima e valorosa. Não menor é sua carga musical. Compôs modinhas, com destaque para a belíssima "Amo-te muito", músicas sacras, etc. Como jornalista, fundou aqui os jornais "A Palavra", "O Sol" e colaborou com "O Boêmio", "Veneta" e "Gazeta do Norte". Autor de "Risos e Lágrimas" - Poesias (1950).

- GRUPO DE SERESTAS “CORDAS E VOCAIS” -



O Grupo de Serestas “Cordas e Vocais” foi fundado em agosto de 2003 pelo professor de violão José Lopes Godinho. Surgiu a partir de um trabalho em sala de aula, no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandêz. Desde a sua fundação, o grupo tem tido preocupação permanente com o social e, para tanto, tem se apresentado em diversos bairros da cidade de Montes Claros, sempre levando um repertório composto de canções da MPB, canções clássicas da seresta brasileira, canções inéditas compostas por membros do próprio grupo e, também, músicas do nosso repertório folclórico. O Grupo de Serestas Cordas Vocais é composto por alunos, professores, funcionários e ex-alunos do Conservatório Estadual Lorenzo Fernandêz.

- GRUPO DE SERESTAS “AMO-TE MUITO” -



Fundado em 1978, o Grupo de Serestas “Amo-te Muito” preserva também o nome do grande seresteiro João Chaves, por ter em seu título a sua mais famosa composição, cantada em todas as partes do Brasil e, segundo apaixonados, considerada o “Hino Popular de Montes Claros”!...
Com a criação do grupo, a sua fundadora e filha de João Chaves, também grande seresteira Lola Chaves, se dispôs a receber artistas da terra que ainda não participavam de outros grupos.
O resultado desta iniciativa é o que vemos hoje acontecer em todas as partes e importantes solenidades, aqui e alhures: toda a harmonia e indiscutível talento de seus componentes!...

GRUPO DE SERESTAS “NAMORADOS DA LUA” -


O Grupo de Serestas “Namorados da Lua”, criado em 22 de maio de 1988 pelo “casal musical” Josecé Alves dos Santos (Zecé) e a amada Leonora, com o objetivo de resgatar a música regional seresteira do sertão norte-mineiro para o povo montes-clarense, por excelência amante eterno das músicas cantadas ao som do violão e bandolim, sob a claridade vaidosa da lua cativante que, teimosamente, ilumina os trovadores do norte das Gerais!...
O grande Grupo de Serestas “Namorados da Lua” chegou fugindo do estilo tradicional, inovando e dando uma roupagem moderna, valorizando, inclusive, os compositores da terra.

Ao longo de seus vinte e nove anos de existência, o popular Grupo de Serestas “Namorados da Lua” participou e tem participado, ativamente, de vários eventos culturais, tais como o “Projeto Seresta Itinerante” (realizado através de parceria do SESC com a Secretaria Municipal de Cultura e a Associação dos Artistas e Poetas Populares do Norte de Minas); apresentações em clubes sociais, escolas, universidades, festas municipais, festas religiosas, entre outros.

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DIA: 19 de maio, sexta-feira
LOCAL: Praça da Matriz (Dr. Chaves.)
HORÁRIO: À partir das 20:30


Participem desta bela "Festa da Seresta", que será encerrada com o a mais bela modinha mineira, Amo-te muito" de autoria de João Chaves. 

Crônica

Festival de Horrores Que Assola o País

Wagner Gomes*

O bicho está pegando feio. Diante da pasmaceira e da inoperância de nossos patrícios, o Brasil pode caminhar, inexoravelmente, para se transformar em uma nação de zumbis, a julgar pelos fatos mais recentes na política brasileira. De memória consegui ordenar este pequeno show de horrores, produzidos pelos nossos políticos de plantão. Roberto Requião uniu-se a Renan Calheiros, e a cinco mãos elaboraram um parecer que se transformou em réquiem para a Lava Jato, produzindo um canhestro (des)arrazoado, sem pé nem cabeça. Grotescamente, redigiram um libelo liberatório (se é que existe essa figura!) para os réus e um libelo acusatório para aqueles capazes de aplicar a lei. Algo como inverter a situação dos carcereiros e dos encarcerados, das vítimas e dos agressores. E salve-se quem puder. Soltam-se os presos e prendam-se os inocentes. Palloci, que desistiu temporariamente de se tornar um delator, tenta uma saída desesperada, impetrando recurso para ser julgado pela turma boazinha do STF, contribuindo para dar vida à teoria conspiratória que alimenta as suspeitas de um grande jogo de compadres. Assim, ele luta contra a democracia da maioria para nos impor, uma vez mais, a ditadura das minorias. A pretensão de escolher o juiz que nos julga é das coisas mais bizarras de um sistema de direito. Dizem as más línguas que Tóffoli, Gilmar Mendes e Lewandowski estariam enfurecidos com Fachin e Carmen Lúcia, temendo ser ridicularizados com um resultado diferenciado, do julgamento do caso Palloci, ao daquele que produziram para soltura de quatro outros réus, dentre eles Zé Dirceu, sem o menor pudor. O Senador Renan Calheiros, sempre ele, em clara rebelião oportunista – que surpresa! -, declara guerra ao Presidente da República, seu colega de partido e, paradoxalmente, se une aos sindicalistas e senadores da oposição com o objetivo de discutir estratégias para barrar as reformas de que o Brasil precisa. Nesse caso ele, pelo menos, segue fiel ao princípio bíblico que adotou como lema de vida: "Mateus, primeiro os teus". Seria, mais ou menos, a mesma coisa que um ditado de sua terra natal: "farinha pouca, meu pirão primeiro". E ainda segue líder do PMDB no Senado, em evidente contradição com o princípio da fidelidade partidária. De repente descobrimos que diversas constituições estaduais possuem cláusulas de barreira, para impedir que a justiça possa processar os governadores, em caso de delitos. Essa, felizmente, o STF fez ruir. Esse mesmo STF tornou-se o mais dividido e aparelhado de toda sua história, hermeneuticamente falando (sic), e passou a interpretar os rigores da lei com uma profusão de vertentes nunca antes vista neste país. Lula seguiu ironizando a Lava Jato e, durante o seu depoimento ao Juiz Sérgio Moro, foi instado a decodificar essa sua ameaça: "se não me prenderem logo, quem sabe eu mando prendê-los", como se estivesse a antever o clima de um seu possível futuro (des)governo. Irônico, já havia chamado, no Congresso do PT, o tríplex em Guarujá de "uma Minha Casa, Minha Vida em cima da outra"...  Só por curiosidade, fico imaginando que nome daria ao sítio de Atibaia. O político que mais angariou a simpatia do povão nos tempos modernos, após se meter em um cenário de falcatruas, deu-se ao luxo de não mais precisar de marqueteiros ao cunhar o slogan de sua próxima campanha eleitoral, e sem meias palavras vai estimulando seus fiéis seguidores a cantarem, em coro: “Lula, ladrão, roubou meu coração”. Lula segue repetindo Lula na sua costumeira estratégia de contradizer os fatos. Não cola mais. Aliás, parece que o falecido Belchior se referia aos militantes políticos do PT ao escrever este trecho: " Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não." Por isso, como Belchior, eu acredito “que eles é que amam o passado e não veem que o novo sempre vem”. Diante de tantos descalabros, e apesar dos pesares, o povo de Curitiba apelou para sua criatividade e espalhou pela cidade outdoors com a frase de boas-vindas ao depoente ilustre da operação Lava Jato: “Seja bem-vindo. A República de Curitiba te aguarda de grades abertas”. Roberto Jeferson, presidente do PTB que, lá atrás, no mensalão, colocou o dedo na ferida da corrupção brasileira, matou a pau, lembrando Shakespeare, com esta frase, na interpretação do momento que vivemos: “Dirceu fixou residência em Brasília no Residencial Kopenhagen. Fica esclarecido que há algo de podre no reino da Dinamarca”.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

- Encontro de Violeiros e Pesquisadores da Viola -

- O FAZER E O TOCAR EM MINAS GERAIS -


Já estão abertas as inscrições para o Seminário Violas: o fazer e o tocar em Minas Gerais, que vai reunir nos dias 16 e 17 de maio, os mais destacados violeiros de Minas e do Brasil, no auditório do BDMG Cultural, no Circuito Liberdade. O encontro integra as ações de pesquisa do Instituo Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) para e reconhecimento dos saberes e formas de expressões ligadas à viola como patrimônio cultural imaterial do estado.

Além dos violeiros, o encontro terá a presença de pesquisadores, tocadores, mestres e construtores de violas para as rodadas de debates. O primeiro dia contará com as participações de Ivan Vilela, Paulo Freire, Paulo Castagna, Max Rosa, Rodrigo Delage,  Wilson Dias, Pereira da Viola, Joaci Ornelas, José Maria, Seu Domingos de São Francisco, Carlinhos Ferreira, João Araújo e Odorino Dias.

Para o segundo dia, estão confirmados Roberto Corrêa, Théo Azevedo, Chico Lobo, Carlos Filipe Horta, Índio Cachoeira, Tarcísio Manuvéi, João Raposo, Antônio Raposo, Vergílio Lima, Virgílio Martins, Moisés Montes, Marimbondo Chapéu e Letícia Leal.

Temas como  "História da Viola no Brasil e em Minas” e a "A viola ontem e hoje: o instrumento e seus trânsitos culturais" estão na pauta de debates da programação, que também terá “canjas” dos violeiros.

Serão dois dias de imersão na história e também no universo cultural e simbólico da viola no Brasil e em Minas Gerais, para compreender as relações deste instrumento com as vivências coletivas, religiosas e identitárias do povo mineiro.


A pesquisa -

Uma das etapas da pesquisa sobre a viola em Minas é o mapeamento dos construtores e tocadores de viola que está sendo realizado por meio de cadastro on-line, disponibilizado no site do Iepha-MG (www.iepha.mg.gov.br). Essa ação permitirá conhecer um pouco mais sobre esse universo por todo o estado de Minas Gerais. O cadastro visa também uma maior aproximação e diálogo do Iepha com os municípios mineiros e seus artistas, agentes e gestores culturais, a exemplo de outras experiências bem sucedidas já desenvolvidas pela instituição.

A presença da viola no território mineiro -

A viola não se desvincula do tocador que, por sua vez, não separa sua música do universo cultural no qual se insere. O violeiro e o fazedor de violas trazem um conhecimento ancestral, geralmente herdado dos pais ou avós, e contribuem para a manutenção desse saber e dessa forma de expressão que são parte formadora da riqueza cultural do estado.

O costume de fazer e de tocar a viola está presente em grande parte do território mineiro e dialoga com muitas outras práticas tradicionais, como as folias, congadas e demais festejos populares.

Nas comunidades rurais, a música assume o papel de elemento mediador das relações sociais. Já nas celebrações religiosas, atua como fio condutor de todo o ritual.  Em festas profanas, nos momentos de colheitas ou trabalhos em mutirão, o som da viola determina o ritmo das atividades.

A viola é um dos elementos estruturantes da identidade mineira e uma das principais porta-vozes da nossa cultura interiorana.

Programação -

Dia 16/05/2017 -

- Manhã -

· 9:00 às 9:45 - Abertura do Seminário/Apresentação do Projeto Violas: Ângelo Oswaldo – Secretário de Estado de Cultura e Michele Abreu Arroyo –  Presidente do IEPHA-MG;
· Informe sobre a solicitação de abertura do processo de registro da viola brasileira como patrimônio imaterial junto ao Iphan. João Araújo

Mesa 1 -  
*Violas: história e trajetórias (09:45 às 11:30)
· “Uma história Social da Viola” - Ivan Vilela
· “A difusão das violas na América Portuguesa” - Paulo Castagna
· “Violas de Queluz: relevância histórica e influência sobre a viola em Minas” - Max Rosa

Debate (11:30 às 11:50) -
*Canja de Viola com Ivan Vilela (11:50 às 12:10)

- Tarde -

Mesa 2 -
*A viola e a natureza: os toques do cotidiano (14:00 às 15:00)
· “Os toques de viola e a natureza”- Rodrigo Delage
· “A Viola no Sertão do Urucuia” - Paulo Freire

Debate (15:00 às 15:20) -
*Canja de viola com Paulo Freire e Rodrigo Delage (15:20 às 15:40)
Intervalo – 15:40 às 16:10

Roda de Conversa 1  - 
*A Viola e as expressões culturais mineiras – Mediação: Carlinhos Ferreira (16:10 às 17:40)
·Wilson Dias – Violeiro
·Pereira da Viola - Violeiro
·José Maria – Catira de Martinho Campos
·Seu Domingos de São Francisco – Mestre de Folia
·Odorino Siqueira – Mestre de Folia
·Joaci Ornelas – Violeiro

Debate (14:40 às 18:00) -
*Canja de viola com Wilson Dias, Pereira da Viola, Joaci Ornelas e apresentação do “Grupo de Catira Pedro Pedrinho” de Martinho Campos (18:00 às 18:30)

Dia 17/05/2017

 - Manhã -

Mesa 3 -
 A viola ontem e hoje: o instrumento e seus trânsitos culturais (09:30 às 11:10)
• “Cinco ordens de cordas dedilhadas: a presença da viola no Brasil”- Roberto Corrêa
• “Partilhas de cultura pelas cordas da viola – Brasil/Portugal” - Chico Lobo
• “Raízes do Sertão: viola e vivências no meio rural” - Tarcísio Manuvéi
* "A viola contemporânea: mistura de gêneros e tons" - Letícia Leal

Debate - (11:10 às 11:30)
 *Canja de viola com Roberto Corrêa, Chico Lobo , Tarcísio Manuvéi e Letícia Leal (11:30 às 12:00)

- Tarde -

Roda de conversa 2
 *A arte de trabalhar a madeira: a tradição da construção das violas em Minas – Mediação: Chico Lobo (14:00 às 15:30)
 ·João Raposo - Fazedor de viola de São Francisco
·Antônio Raposo – Fazedor de viola de São Francisco
·Vergílio Lima – Luthier
·Virgílio Martins – Fazedor de Viola de Sagarana
·Moisés Montes – Fazedor de viola de Montes Claros
·Marimbondo Chapéu – Fazedor de Viola

Debate - (15:30 às 15:50)
Canja de viola com Marimbondo Chapéu (15:50 às 16:00)

Intervalo – 16:00 às  16:30

Roda de conversa 3 -
*Vivências de viola: diálogos com Theo Azevedo e Índio Cachoeira – Mediação: Carlos Felipe Horta (16:30 às 17:30)

Debate - (17:30 às 17:40)
Canja de viola com Théo Azevedo, Índio Cachoeira e dupla Valdo e Vael

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Data: 16 e 17 de maio de 2017
Local: Auditório do BDMG – 
Bernardo Guimarães, 1600, Lourdes
Belo Horizonte, Minas Gerais.

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Inscrições -

O link de inscrição para o seminário está disponível no site 
do Iepha-MG: http://www.iepha.mg.gov.br 
ou acesse diretamente: http://bit.ly/2pThzHm

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Maiores Informações:

Assessoria de imprensa -
(Iepha-MG e Circuito Liberdade)
Clarissa Menicucci, Leandro Cardoso e Sandra Nascimento:
3235-2812 / 2817 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

- Crônica -

Tiro no galinheiro
Wagner Gomes*

O Brasil tem mais de 17 mil sindicatos. Na Argentina, um país onde a tradição sindical é muito mais vigorosa do que a nossa, o número se situa ao redor de 100. Nos Estados Unidos, beira os 130, e no Reino Unido alcança pouco mais de 160. Essa proliferação aqui existente gera uma promiscuidade resultante da distante lógica que embasou a legislação da era Vargas, criador da Lei da Sindicalização (1931) e da CLT (1943), completamente ultrapassadas. Em 2016, os sindicatos receberam a estratosférica quantia de 3,5 bilhões de reais, confiscada de trabalhadores e empregadores. Essa estrutura está fora de controle e, na Lava Jato, as principais confederações que congregam esses sindicatos já apareciam aparelhadas pela famigerada Odebrecht, que chegou ao cúmulo de, também, cooptá-las, via suborno.

Assim como já está ocorrendo, cada vez mais o emprego perderá espaço para o trabalho, no futuro. Nenhuma estrutura ficará imune a esse fenômeno, ainda que tentem alimentar, via redes sociais, o mantra de que os trabalhadores estão tendo os seus direitos usurpados. Abrir sindicatos virou um grande negócio. Os governos ditos populistas sempre foram sustentados por essa estrutura que constitui sua massa de manobra, utilizando-a para intimidar o restante da população nas grandes manifestações. Pelo menos, aqui no Brasil, esses sindicatos não servem para mais nada. O mundo mudou e os países não podem mais ignorar a competitividade, em um ambiente no qual as relações de trabalho não são as mesmas de décadas passadas. Nem mais as profissões são as mesmas daquela época. A economia, em recessão, e uma política econômica cheia de equívocos fizeram com que o número de desempregados ultrapassasse os 13 milhões, pela primeira vez, em nosso país. Caiu até o número de trabalhadores por conta própria, última trincheira para sobreviver ao desemprego. Esses problemas agravam a situação, é bem verdade. Mas, independentemente deles, a legislação atual amordaça as empresas que desejam prosperar, competitivamente. Essa inversão de valores é um dos componentes do custo Brasil, que teima em não reconhecer que o regulador de tudo isso deve ser o próprio mercado.

O nó górdio da atual situação não é a perda de direitos dos trabalhadores, mas, sim, criar regras que estimulem a retomada do processo econômico e da produção, para que surjam novas oportunidades de emprego. Daqui a pouco, quando o trabalhador do setor público, com sua estrutura gigantesca e emperrada, começar a perder suas regalias, vai tomar ciência de que não é possível sobreviver a esse mundo do faz de conta, onde a estabilidade cria um escudo para a cobrança de resultados. A nossa CLT é um emaranhado que perdeu o seu prazo de validade e que só se mantém através de um Judiciário trabalhista paternal e ultrapassado. Estabilidade é um regime em extinção e a verdadeira revolução trabalhista está apenas começando. A nova lei vai dar um tiro no galinheiro do sindicalismo, tal como aqui praticado, e os partidos políticos que sobrevivem à custa dessa malfadada anomalia também vão caminhar rumo à extinção.

O acordo coletivo de trabalho passa a ter uma importância relevante, porém com algumas travas significativas. Ele não poderá, por exemplo, renegociar questões relativas ao FGTS, ao 13º salário, ao seguro-desemprego, ao salário-família, ao pagamento da hora-extra com adicional inferior a 50% da hora normal, à negociação do prazo da licença-maternidade de no mínimo 120 dias e ao aviso prévio proporcional ao tempo de serviço. Fora essas exceções, tudo é negociável, porém qualquer cláusula que consubstancie vantagem desproporcional em favor de uma das partes pode ser questionada de forma a provocar a nulidade do instrumento e, obviamente, perder suas condições de aplicabilidade. Difícil imaginar que foi preciso atingirmos um ponto tão doloroso para tocar esse processo de reformas. Ainda bem que, diante desse overview, foram geradas as ocorrências disruptivas para atingirmos o atual estágio de aprimoramento. Isso vai permitir separar o joio do trigo e depurar o processo, com a atual CLT em plena vigência. Parafraseando Charles de Gaulle, que teria dito ser impossível governar um país com mais de 200 tipos de queijo, eu diria que isso não é nada diante de nossos mais de 17 mil sindicatos...

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